
Conversas sobre comércio entre os dois países serão retomadas após tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros
Os governos do Brasil e dos Estados Unidos retomam nesta segunda-feira (31) as negociações sobre as relações comerciais entre os dois países. A retomada ocorre após a Casa Branca impor, de forma unilateral, tarifas sobre parte das importações brasileiras.
As novas conversas foram articuladas depois de um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em 21 de agosto. Na ocasião, Lula afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a aplicação das tarifas não condizem com a realidade. Trump, por sua vez, propôs que as equipes dos dois governos voltassem a negociar.
Além da tarifa de 25% aplicada especificamente a produtos brasileiros, o Brasil também foi atingido por uma cobrança adicional de 12,5%, estabelecida pelos Estados Unidos sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado. A mesma justificativa foi utilizada por Washington para aplicar tarifas a outros 59 países e à União Europeia.
O governo brasileiro avalia que a tarifa adicional de 12,5% teria sido criada como uma nova justificativa legal para recuperar medidas tarifárias anteriormente derrubadas pela Suprema Corte dos Estados Unidos, em fevereiro deste ano.
Já a tarifa de 25% direcionada exclusivamente ao Brasil foi baseada em uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão norte-americano aponta supostas práticas comerciais consideradas desleais pelo Brasil em áreas como pagamentos eletrônicos, incluindo o Pix, e acesso ao mercado de etanol.
Brasil contesta justificativas
O governo brasileiro considera que as medidas adotadas por Washington possuem motivação política. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, os negociadores norte-americanos chegaram a pedir uma abertura ampla do mercado brasileiro sem apresentar contrapartidas.
A aplicação das tarifas ocorre ainda em meio à estratégia do governo Trump de ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina, região onde a presença econômica da China cresceu nas últimas décadas.
Para Brasília, as medidas norte-americanas também podem ter relação com as eleições gerais brasileiras de outubro, diante da avaliação de que Washington busca influenciar o cenário político do país.
Com a retomada das negociações, os dois governos voltam a discutir alternativas para reduzir as tensões comerciais e buscar um entendimento sobre as tarifas que afetam as relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.









