segunda-feira, 17 de agosto de 2026 21:21
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Brasil registra queda de 30% nas mortes por malária em 2025

© Portal Biologia/divulgação

País teve 118 mil casos da doença no ano passado, menor número desde 1978; governo atribui redução à ampliação do diagnóstico e ao uso da tafenoquina no SUS

O Brasil registrou uma queda de 30% nas mortes por malária em 2025, segundo dados do Ministério da Saúde. O número de óbitos passou de 56, em 2024, para 39 no ano passado. Os casos da forma mais grave da doença também recuaram 30,7%.

Ao todo, foram registrados 118.037 casos de malária contraídos no território nacional em 2025, uma redução de 15% em relação ao ano anterior. Segundo o governo, trata-se do menor número de registros desde 1978.

“Chegamos à menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos na nossa história”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta segunda-feira (17), após participar do 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), em Brasília.

De acordo com o Ministério da Saúde, a redução está relacionada à ampliação do diagnóstico, da oferta de testes e do tratamento adequado, além do início da distribuição da tafenoquina pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Tafenoquina no SUS

A tafenoquina foi incorporada ao SUS em 2023 para pacientes adultos com 16 anos ou mais e peso igual ou superior a 35 quilos. O medicamento passou a ser utilizado em dose única a partir de 2024 e tem ação prolongada, ajudando a prevenir novas manifestações da doença.

Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam recebido tratamento com tafenoquina. Desse total, 3.920 tratamentos foram registrados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

Segundo Padilha, a utilização do medicamento contribuiu para a redução da malária em áreas indígenas e de assentamentos rurais, especialmente na região amazônica.

“[Em 2025] tivemos redução de mais de 40% de redução em terra indígena, mais de 40% de malária em áreas de assentamento rural e em assentamentos na região amazônica brasileira, que é uma das maiores em incidência de casos de malária. O Brasil passa a ser o primeiro país do mundo a incorporar a tafenoquina, que é uma nova medicação para o tratamento da malária”, afirmou o ministro.

Redução de casos entre indígenas

O impacto do tratamento também foi registrado no Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami. Segundo o Ministério da Saúde, 1.515 pessoas receberam tafenoquina no território.

Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária entre os Yanomami caíram 61,9% em comparação com o mesmo período de 2025.

Considerando os meses de janeiro a julho, os casos da doença diminuíram 55%, passando de aproximadamente 17 mil para 7,6 mil ocorrências.

O território Yanomami foi a primeira área indígena em que o medicamento foi utilizado no tratamento contra a malária, de acordo com o ministro.

“Conseguimos felizmente interromper o verdadeiro genocídio que acontecia no povo Yanomami. Tivemos redução de mais de 50% nos casos de malária no território Yanomami e mais de 70% nos óbitos por malária. Isso não só com as ações combinadas contra a malária, mas com a recuperação nutricional daquele povo”, disse Padilha.

Desde março de 2026, a tafenoquina também está disponível em uma formulação para crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos. Até junho, 1.446 crianças e adolescentes haviam recebido o tratamento no país.

Brasil reforça vacinação contra o sarampo

Durante o congresso, Padilha também falou sobre o reforço da vacinação contra o sarampo em todo o país. Segundo o ministro, foram identificados 38 casos importados da doença em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins.

“Nesse momento temos reforçado a vacinação de sarampo em todo o Brasil”, afirmou.

O ministro destacou que o Brasil recuperou, em 2024, o certificado de país livre do sarampo. Em 2025, apesar dos casos importados, o país manteve a certificação graças às ações de vacinação e controle da doença.

O Brasil havia perdido o certificado em 2019, após a circulação do vírus e o registro de milhares de casos, principalmente em municípios da Região Metropolitana de São Paulo.

Em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a estratégia de vacinação foi ampliada para pessoas de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal.

Segundo Padilha, mais de 70 mil pessoas já haviam sido vacinadas na cidade de São Paulo dentro da estratégia.

O ministro afirmou ainda que os casos registrados nos três municípios estavam relacionados a cepas que circularam nos Estados Unidos e no Canadá. De acordo com ele, os países da América do Norte concentram atualmente a maior parte dos casos registrados no continente americano.