Mercado eleva previsão da inflação para 5,09% e mantém expectativa de desaceleração dos juros

Boletim Focus aponta alta da estimativa do IPCA pela 12ª semana consecutiva, enquanto projeções para crescimento econômico e câmbio permanecem estáveis

 

 

A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do país voltou a subir. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,04% para 5,09% em 2026, registrando a décima segunda alta consecutiva nas projeções dos analistas.

O percentual projetado supera o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, o limite máximo permitido é de 4,5%.

Entre os fatores que pressionam a inflação estão os reflexos da guerra no Oriente Médio, que vêm impactando os preços internacionais dos combustíveis e de alimentos. Apesar disso, o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,39% em abril, permanecendo dentro do intervalo de tolerância da meta, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para os próximos anos, o mercado também revisou levemente as expectativas. A projeção para a inflação em 2027 passou de 4,01% para 4,02%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 permanecem em 3,66% e 3,5%, respectivamente.

No campo da política monetária, a expectativa é de continuidade na trajetória de redução da taxa básica de juros. Atualmente em 14,5% ao ano, a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), após permanecer em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026.

Embora o cenário de desaceleração da inflação tenha favorecido o início dos cortes, o Banco Central mantém cautela diante das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio. Em ata recente, a instituição informou que acompanha os possíveis efeitos da guerra sobre os preços e sobre o comportamento da economia global.

Segundo o Focus, a Selic deverá encerrar 2026 em 13,25% ao ano. Para 2027, a projeção é de queda para 11,25%, chegando a 10% em 2028 e permanecendo nesse patamar em 2029.

As perspectivas para a atividade econômica também apresentaram leve melhora. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 subiu de 1,89% para 1,9%. Para 2027, a estimativa foi mantida em 1,7%, enquanto para 2028 e 2029 o mercado projeta expansão de 2% ao ano.

Dados divulgados pelo IBGE mostram que a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 2%. Em 2025, o país registrou crescimento de 2,3%, impulsionado principalmente pelo desempenho da agropecuária.

No mercado cambial, as projeções permaneceram estáveis. A expectativa é de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,16. Para o final de 2027, a previsão é de R$ 5,25 por unidade da moeda norte-americana.

Com informações da Agência Brasil.