
Especialistas alertam que uso de suplementos sem orientação médica pode reduzir a performance, aumentar o risco de lesões e trazer prejuízos à saúde.
A busca por resultados rápidos nos treinos tem levado cada vez mais atletas amadores a recorrerem ao uso de suplementos alimentares sem orientação profissional. No entanto, especialistas alertam que a automedicação nutricional pode comprometer o desempenho esportivo e causar prejuízos à saúde a médio e longo prazo.
Segundo o nutrólogo e especialista em medicina esportiva Sandro Ferraz, a tentativa de acelerar ganhos na musculação ou na corrida por meio de dietas restritivas e suplementação inadequada pode provocar queda no rendimento, alterações metabólicas e aumento do risco de lesões.
Um estudo publicado em 2021 na Revista Brasileira de Nutrição Esportiva revelou que cerca de 70% dos praticantes de musculação utilizavam suplementos sem prescrição ou acompanhamento profissional. De acordo com a pesquisa, redes sociais e influenciadores digitais figuram entre as principais fontes de informação sobre o tema.
Para Ferraz, o cenário é preocupante, já que o organismo possui necessidades metabólicas individuais e não responde da mesma forma aos chamados “modismos” alimentares.
“É comum encontrarmos pessoas que querem treinar como atletas de alto rendimento, mantendo uma alimentação baseada na dieta da vez. Mas é preciso respeitar o seu ritmo”, destaca o médico.
Entre os erros mais frequentes está a redução excessiva do consumo de carboidratos. O especialista explica que essa prática pode diminuir os estoques de glicogênio muscular, favorecendo o aparecimento precoce da fadiga e reduzindo o desempenho em atividades de intensidade moderada e alta.
Antes de iniciar qualquer suplementação, Ferraz recomenda avaliações físicas e laboratoriais, como exames de bioimpedância, para identificar as necessidades específicas de cada pessoa.
“Não existe um suplemento mágico que funcione para todos. Cada corpo é único, e muitas vezes o que funciona para o seu amigo pode fazer mal para você”, alerta.
Outro ponto de atenção é o chamado overtraining, condição caracterizada pelo excesso de treinamento sem tempo suficiente para recuperação do organismo. Segundo o médico, muitos praticantes aumentam a intensidade dos exercícios acreditando que isso acelerará os resultados, mas acabam enfrentando fadiga constante, queda de desempenho e maior risco de acidentes.
Para evitar esses problemas, o especialista reforça que a evolução física depende da combinação entre treinos regulares, alimentação equilibrada, descanso adequado e respeito aos limites do corpo.
“O ganho de desempenho acontece com constância. Quando alguém tenta acelerar seus resultados a qualquer custo, muitas vezes obtém justamente o efeito contrário”, afirma.
Apesar dos riscos do uso indiscriminado, o mercado de suplementos continua em expansão. Levantamento da Scanntech, em parceria com a McKinsey, aponta que, entre janeiro e outubro do ano passado, o consumo de whey protein cresceu 124%, enquanto a creatina registrou aumento de 89%. Também houve crescimento nas vendas de cereais proteicos, iogurtes enriquecidos com proteína, produtos pré e pós-treino e bebidas proteicas.
Especialistas ressaltam que suplementos podem ser importantes aliados na prática esportiva quando utilizados de forma correta e com orientação profissional, contribuindo para o ganho de massa muscular, melhora da recuperação e aumento da performance.










