
Presidente deve defender o multilateralismo, a negociação de conflitos e a reforma do Conselho de Segurança durante discurso na abertura da assembleia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Nova York, nos Estados Unidos, onde participará da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). No tradicional discurso de abertura da sessão de alto nível, previsto para terça-feira (22), Lula deve destacar a importância do multilateralismo diante do cenário de conflitos internacionais.
O presidente também deverá defender a negociação como caminho para a solução de disputas, o respeito ao direito internacional humanitário e a não interferência em assuntos internos de outros países. O discurso deve apresentar a posição brasileira sobre os principais temas da agenda internacional.
Entre os assuntos previstos está a reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança. O Brasil defende há anos a atualização da composição e do funcionamento do órgão e critica as dificuldades da estrutura atual para responder aos conflitos internacionais.
A agenda presidencial prevê a chegada a Nova York ainda no domingo. Na segunda-feira (21), Lula terá encontros bilaterais com outros chefes de Estado, ainda não anunciados. Na terça-feira, o presidente se reunirá com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e depois fará o discurso na Assembleia Geral. O retorno ao Brasil está previsto para o mesmo dia.
Lula também deverá se reunir com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, do Partido Democrata. O presidente brasileiro terá ainda outros encontros bilaterais durante a passagem pela cidade.
Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral da ONU como presidente da República. Ao longo de seus três mandatos, ele deixou de comparecer apenas em 2010.
Trump
O Itamaraty não confirmou um possível encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Não há, até o momento, confirmação de nenhuma das partes sobre uma reunião bilateral.
Trump será o segundo a discursar na sessão, logo após Lula, e os dois podem eventualmente se encontrar nos bastidores do plenário. No ano passado, os presidentes tiveram um breve contato quando Lula deixava o palco após seu discurso e Trump se preparava para falar.
Na ocasião, o contato foi posteriormente descrito por Trump como marcado por uma “química excelente”. Desde então, os dois líderes tiveram outros encontros.
Outras agendas
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante toda a semana e participará de reuniões ministeriais de diferentes grupos e organizações internacionais, entre eles Brics, Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), G77, G4, L69 e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
A agenda também inclui reuniões da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do Consenso de Brasília. Vieira presidirá ainda duas reuniões ministeriais: a da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, em 23 de setembro, e a da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), no dia 24.
O Brasil ocupa atualmente a presidência da Zopacas, que será exercida pelo país durante três anos após a realização da 9ª Reunião Ministerial, em abril deste ano.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também participará de atividades em Nova York entre os dias 21 e 23 de setembro. As agendas estarão relacionadas à segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional. No dia 23, ele participará do encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
A delegação brasileira também estará presente em reuniões do Conselho de Segurança da ONU e em encontros sobre a situação da Palestina e a solução de dois Estados, o combate à desigualdade, a Comissão de Consolidação da Paz e questões relacionadas ao direito internacional humanitário.
Comitiva
Além de Mauro Vieira e Wellington Dias, a comitiva brasileira contará com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros. Os integrantes participarão de atividades relacionadas às áreas de atuação de suas respectivas pastas.









