quinta-feira, 25 de junho de 2026 12:12
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BC melhora previsão da economia, mas inflação preocupa

 

Banco Central eleva projeção de crescimento do PIB para 2% em 2026, enquanto risco de estouro da meta de inflação aumenta.

O Banco Central (BC) revisou para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,6% para 2%, impulsionada pelo desempenho acima do esperado no primeiro trimestre e pela melhora das perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa.

Nos três primeiros meses do ano, a economia cresceu 1,1% em relação ao último trimestre de 2025. O avanço foi registrado nos setores de agropecuária, indústria e serviços, além do aumento do consumo das famílias e dos investimentos realizados pelas empresas.

Segundo o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25), o cenário também reflete estímulos fiscais e de crédito que vêm fortalecendo a demanda interna. Por outro lado, o Banco Central destaca que os juros ainda elevados tendem a limitar parte desse crescimento.

Apesar da melhora nas perspectivas econômicas, a inflação continua sendo motivo de preocupação. A autoridade monetária aumentou de 30% para 79% a probabilidade de o índice ultrapassar o teto da meta estabelecida para 2026, atualmente fixado em 4,5%.

Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,58%, acumulando 4,72% nos últimos 12 meses. Entre os fatores que pressionam os preços estão o aumento dos combustíveis, dos alimentos e das commodities no mercado internacional, agravados pelos reflexos da guerra no Oriente Médio.

O Banco Central também ressaltou que, embora tenha iniciado a redução da taxa básica de juros, a Selic permanece em patamar elevado. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa para 14,25% ao ano, na terceira queda consecutiva.

No mercado de crédito, a previsão é de crescimento de 9% em 2026. Programas voltados para famílias e pequenas empresas devem impulsionar os financiamentos, embora o ritmo de expansão do crédito deva desacelerar pelo segundo ano seguido.

Já nas contas externas, o BC reduziu a estimativa de déficit em transações correntes para US$ 56 bilhões. A melhora é explicada principalmente pelo aumento das exportações, favorecidas pela valorização de produtos como soja, carne bovina e petróleo.

Mesmo com perspectivas mais positivas para o crescimento econômico, o Banco Central alerta que as incertezas no cenário internacional, especialmente relacionadas aos conflitos no Oriente Médio, continuam representando riscos para a inflação e para o desempenho da economia brasileira nos próximos meses.