domingo, 14 de junho de 2026 19:19
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Setor Comercial Sul tem apoio do GDF para elaboração do plano do Polo Criativo Tecnológico

Foto: Divulgação/Seduh-DF

 

Projeto apresenta caminhos para fortalecer a ocupação, a governança e o desenvolvimento urbano do centro de Brasília

A Universidade Católica de Brasília (UCB) concluiu a entrega do estudo sobre o Polo Criativo Tecnológico do Setor Comercial Sul (SCS), projeto desenvolvido com fomento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF) e a Universidade de Brasília (UnB), por meio do Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído (Pisac/UnB).

A iniciativa é apoiada pela fundação por meio do programa Desafio DF, com investimento de R$ 1,5 milhão, e reúne um conjunto de relatórios técnicos voltados à criação, estruturação e implementação do polo. O material apresenta diagnóstico, diretrizes de governança, plano estratégico, estudos urbanísticos e propostas de intervenção para orientar ações futuras no Setor Comercial Sul, uma das áreas centrais mais tradicionais de Brasília.

Localizado no centro da capital federal, o SCS reúne intensa circulação de pessoas, diversidade de serviços, empresas e iniciativas culturais. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios como imóveis ociosos, degradação percebida, baixa permanência de públicos em determinados horários e necessidade de qualificação dos espaços urbanos. Os relatórios mostram que esse cenário exige ações integradas, capazes de combinar planejamento, gestão compartilhada, ocupação qualificada e desenvolvimento econômico.

Para o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, o estudo reforça a importância da produção de conhecimento aplicado para orientar políticas públicas baseadas em dados e evidências. “A maneira de se gerir políticas públicas é partir de evidências, de dados, de olhar atento à realidade para então construir o ecossistema de inovação da nossa cidade. E essas são características presentes neste estudo”, afirmou.

Retrato do Setor Comercial Sul

A primeira etapa do projeto consistiu na elaboração de um estudo diagnóstico sobre o SCS. A pesquisa mapeou o ecossistema criativo, tecnológico e social da região a partir de dados quantitativos e qualitativos, entrevistas, grupos de discussão, cartografia social, registros fotográficos e observação de campo.

Entre os dados levantados, o diagnóstico identificou mais de 5,5 mil CNPJs registrados no local e realizou 482 entrevistas em campo com estabelecimentos locais. O estudo também apontou a presença de atividades ligadas a serviços, comércio, alimentação, saúde, educação, cultura, tecnologia e economia criativa.

Na prática, o levantamento mostra que o polo não parte do zero. O SCS já reúne restaurantes, bares, cafés, pequenos comércios, centros culturais, galerias de arte, pequenos teatros, espaços de produção artística e eventos, além de atividades ligadas à tecnologia, como desenvolvimento de software, consultoria, serviços administrativos e negócios criativos. A proposta do projeto é articular essas vocações existentes a novas oportunidades de ocupação, formação, empreendedorismo e inovação.

Planejamento para os próximos dez anos

A segunda etapa tratou da criação, estruturação e implantação do Polo Criativo Tecnológico. O relatório apresenta um plano estratégico para o período de 2026 a 2036, com diretrizes para governança, operação, sustentabilidade, infraestrutura, inclusão produtiva, indicadores, metas e carteira de projetos.

O plano propõe que o Setor Comercial Sul seja pensado como um ecossistema urbano, produtivo e cultural, com ações de curto, médio e longo prazo. Entre os caminhos apontados estão a criação de hubs, a reocupação de imóveis, o incentivo ao retrofit (modernização e adaptação de edificações), a formação de talentos, a atração de novos negócios, a ampliação de serviços de apoio ao empreendedorismo e a estruturação de mecanismos de acompanhamento por dados.

A proposta também considera a importância de conectar o SCS a políticas e programas já existentes no Distrito Federal, como ambientes de inovação, incubadoras, espaços maker, laboratórios, programas de pré-incubação, iniciativas de formação e ações voltadas ao fortalecimento de negócios criativos e tecnológicos.

Propostas urbanísticas e modelos de visualização

Já a terceira etapa foi dedicada ao desenvolvimento de um modelo urbanístico digital e físico para o SCS. Realizada com a participação do Pisac/UnB, essa fase reuniu levantamentos sobre o espaço urbano existente, considerando aspectos arquitetônicos, urbanísticos, construtivos, de infraestrutura e paisagismo.

O relatório inclui laudo técnico, levantamento topográfico, zoneamento urbano, construção de maquete física e maquete digital 3D. Também apresenta cenários possíveis de intervenção, com propostas voltadas para melhoria do espaço público, acessibilidade, mobilidade, qualificação das áreas de convivência, ocupação de imóveis subutilizados e integração do SCS com seu entorno.

O projeto também aponta caminhos para a instalação de uma estrutura permanente de governança, com participação de diferentes instituições e atores que atuam no SCS. A intenção é fortalecer a coordenação das ações e criar condições para que a região seja ocupada de forma mais dinâmica, segura e conectada às novas economias.

De acordo com o professor da UCB Alexandre Schirmer Kieling, coordenador do projeto, a proposta busca reposicionar o SCS no imaginário da população e dos visitantes da capital. “O objetivo é posicionar o SCS como um território de prática cotidiana efervescente e reposicioná-lo como polo criativo tecnológico, no imaginário dos cidadãos e turistas do DF”, destacou.

Com a conclusão dos estudos, o projeto entrega uma base técnica para orientar os próximos passos da implementação do Polo Criativo Tecnológico do SCS. O material poderá apoiar decisões relacionadas à governança, ocupação, mobilidade, cultura, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico da área central de Brasília.

Os relatórios completos do projeto estão disponíveis no site da FAPDF e podem ser acessados aqui.

 

 

*Com informações da FAPDF