Rede pública do DF adota teste de DNA-HPV para ampliar prevenção do câncer de colo do útero

Letícia dos Santos fez a coleta, recebeu resultado negativo e pôde ampliar o intervalo entre os exames: “Agora, não vou precisar fazer o exame todo ano, vou poder fazer só daqui a cinco anos” | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF

Novo exame detecta 14 tipos do vírus associados ao câncer e permite diagnóstico mais precoce, com maior precisão e intervalos maiores entre as coletas

 

 

A rede pública de saúde do Distrito Federal passou a oferecer o teste de DNA-HPV, uma tecnologia mais moderna e sensível para o rastreamento do câncer de colo do útero. O exame é capaz de identificar 14 genótipos do papilomavírus humano (HPV) relacionados ao alto risco de desenvolvimento da doença, permitindo diagnósticos mais precoces e tratamentos mais oportunos.

Inicialmente, o novo teste está disponível nas unidades básicas de saúde (UBSs) das regiões de Brazlândia, Ceilândia e Sol Nascente/Pôr do Sol. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que a implantação será ampliada gradualmente para as demais regiões administrativas.

A principal vantagem da nova metodologia é a maior sensibilidade na detecção das infecções pelo HPV de alto risco, superando o desempenho do exame citopatológico convencional, conhecido como Papanicolau. Com isso, reduz-se a necessidade de exames complementares e procedimentos desnecessários, tornando o rastreamento mais eficiente e seguro.

Além da precisão diagnóstica, o teste oferece maior comodidade às pacientes. Quando o resultado é negativo, a recomendação é repetir o exame apenas após cinco anos, seguindo os protocolos atuais. Antes, muitas mulheres realizavam o Papanicolau anualmente, mesmo sem indicação clínica para isso.

A paciente Letícia dos Santos, de 42 anos, realizou o exame durante uma consulta de rotina em uma unidade de saúde de Samambaia e aprovou a novidade. Segundo ela, a explicação recebida da equipe de saúde trouxe tranquilidade quanto ao novo método e à ampliação do intervalo entre os exames.

Para o enfermeiro Luiz Fabiano Barbosa, a adoção da tecnologia representa um avanço importante no combate ao câncer do colo do útero. Segundo ele, a maior precisão do teste permitirá identificar alterações de forma mais rápida, favorecendo o início precoce do acompanhamento especializado e do tratamento quando necessário.

A iniciativa faz parte da estratégia de enfrentamento ao câncer de colo do útero, baseada em três pilares: vacinação contra o HPV, rastreamento organizado e tratamento oportuno das lesões precursoras. A meta é alcançar 90% de cobertura vacinal entre adolescentes até 2030 e garantir que pelo menos 70% das mulheres entre 25 e 64 anos realizem regularmente os exames de rastreamento.

De acordo com a gerente de Apoio à Saúde da Família da SES-DF, Simone Lacerda, o câncer de colo do útero continua sendo um importante problema de saúde pública no Brasil, apesar de ser uma doença amplamente prevenível. Ela destaca que a combinação entre vacinação, rastreamento eficiente e tratamento precoce pode reduzir significativamente a incidência e a mortalidade relacionadas à enfermidade.

O procedimento de coleta do DNA-HPV é semelhante ao do Papanicolau. Após a coleta, a amostra é encaminhada ao Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF), onde passa por análise molecular utilizando a técnica de PCR.

Quando o exame identifica os tipos HPV 16 ou HPV 18, considerados os mais associados ao desenvolvimento do câncer, a paciente é encaminhada diretamente para a realização de colposcopia. Nos casos em que outros tipos de HPV são detectados, é realizada uma análise citológica utilizando a mesma amostra coletada. Já os resultados negativos permitem que o rastreamento seja repetido apenas após cinco anos.

Após a divulgação dos resultados, as equipes da Atenção Primária à Saúde ficam responsáveis pelo acompanhamento das pacientes, orientações clínicas e encaminhamentos necessários, garantindo continuidade ao cuidado e maior efetividade nas ações de prevenção ao câncer de colo do útero.

Com informações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).