sábado, 3 de outubro de 2026 09:09
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Preço do limão dispara com queda na produção e oferta reduzida

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Caixa do limão tahiti pago ao produtor subiu 226% entre junho e agosto; excesso de chuvas afetou floradas e reduziu a oferta da fruta.

O preço do limão tahiti disparou durante a entressafra deste ano, pressionado pela redução da produção e pela menor oferta da fruta. No cinturão cítrico paulista, principal região produtora do país, o valor pago ao produtor pela caixa de 27,2 quilos passou de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 em agosto, alta acumulada de 226,4%.

Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O cinturão cítrico de São Paulo responde por cerca de 80% da produção nacional de limão.

Na comparação entre agosto de 2025 e agosto deste ano, o preço da caixa também ficou 71% maior.

Segundo o pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o limão apresenta historicamente grande volatilidade de preços. A situação atual, porém, foi agravada pelas condições climáticas.

“O limão tem como uma de suas características ter uma volatilidade muito alta em seu histórico de preços, diferente do que estamos acostumados a ver em outras plantas. O momento atual é um período bem precário, com uma condição especial de chuvas que afetou a florada no começo do ano”, explicou.

Preço também sobe no atacado

A redução da oferta chegou aos principais mercados atacadistas do país. Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o quilo do limão passou de R$ 1,82 em maio para R$ 8,62 no fim de setembro, aumento de 374%.

Na CeasaMinas, na Grande Belo Horizonte, o preço subiu de R$ 2,50 para R$ 8,50 por quilo, alta de 240% no período.

A Conab explica que o mercado do limão normalmente registra o pico da safra em janeiro e fevereiro. A produção começa a cair em março e abril e entra na entressafra propriamente dita no fim de maio. A oferta costuma voltar a crescer a partir de meados de setembro, com a chegada da nova safra.

Chuvas prejudicaram produção

Neste ano, porém, a oferta no início da entressafra ficou abaixo do observado em anos anteriores. O excesso de chuvas afetou tanto a quantidade quanto a qualidade comercializável das frutas e também prejudicou a formação da safra seguinte.

A maior umidade e o aumento dos dias nublados favoreceram a produção de frutas mais claras e dificultaram a colheita.

A principal florada responsável pela oferta do segundo semestre ocorreu em julho, mas também foi afetada pelas chuvas acima da média nas principais regiões produtoras, especialmente Matão e Bebedouro.

Segundo a Conab, essa florada só deverá gerar um volume relevante de frutas a partir de meados de novembro. O excesso de chuvas também prejudicou o desenvolvimento de frutos de floradas anteriores, reduzindo a quantidade disponível justamente no período em que a oferta deveria aumentar, entre setembro e outubro.

Bebedouro e Matão concentram aproximadamente 68% da área de produção de limões e limas do cinturão cítrico paulista. Do total produzido na região, cerca de 88% corresponde ao limão tahiti. Também são produtoras as regiões de Limeira, Votuporanga e São José do Rio Preto.

Mercado externo e demanda interna

A menor produção ocorre ao mesmo tempo em que produtores precisam atender aos mercados interno e externo. Cerca de 11% da safra brasileira é destinada à exportação, principalmente para países europeus.

No mercado brasileiro, a demanda também aumentou com as temperaturas mais elevadas registradas em agosto e setembro, contribuindo para pressionar os preços em um cenário de oferta reduzida.

Preços podem cair no fim do ano

A expectativa é de normalização dos preços no fim do ano, com a entrada de uma nova safra e o aumento da oferta.

Na última semana, os preços do limão na Ceagesp começaram a apresentar queda, mas ainda não é possível afirmar que a tendência será mantida.

Para Renato Ribeiro, do Cepea/Esalq, os efeitos da redução da produção podem se prolongar.

“O impacto maior foi no volume de produção. Tivemos anos anteriores bons, mas houve impacto da condição climática, que deve se estender para o próximo ano”, afirmou.

Risco para a próxima safra

Além dos efeitos sobre a produção atual, especialistas apontam preocupação com a próxima safra. Um cenário de El Niño forte no início de 2027 poderia aumentar as temperaturas e o déficit hídrico, provocando estresse nas plantas e afetando a florada entre o fim da primavera e o início do verão.

Os técnicos da Conab, no entanto, avaliam que o El Niño teve pouco impacto sobre a produção de limão neste ano.

Segundo a análise, em julho, quando chuvas e ventos fora do padrão afetaram a florada, o fenômeno ainda apresentava intensidade baixa. Por isso, a Conab considera que o El Niño pode ter contribuído para o cenário observado, mas não foi o principal fator responsável pelas alterações no mercado.

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