sábado, 3 de outubro de 2026 09:09
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Urna eletrônica completa 30 anos e transforma votação no Brasil

© WILSON DIAS-ABR

 

Equipamento estreou nas eleições municipais de 1996 e reduziu o tempo de apuração; sistema passou por sucessivas mudanças e mantém mecanismos de auditoria e fiscalização.

Os eleitores mais jovens não tiveram a experiência de chegar à seção eleitoral, receber uma cédula de papel com os nomes dos candidatos, marcar as opções à caneta e depositar o voto em uma urna de lona. Antes da informatização, a apuração era manual e podia levar dias ou até semanas para ser concluída.

Em 2026, esse cenário completa 30 anos de mudança com a urna eletrônica. O equipamento foi utilizado pela primeira vez nas eleições municipais de 1996 e, desde então, passou por sucessivas atualizações tecnológicas e mecanismos de fiscalização. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a informatização reduziu o tempo de apuração e eliminou etapas de intervenção humana que existiam no processo baseado em cédulas.

Antes da urna eletrônica

Durante o período em que o voto era registrado em papel, a contagem dependia de procedimentos manuais. A Justiça Eleitoral registra que esse modelo estava sujeito a problemas como erros de preenchimento, votos anulados por falhas formais e tentativas de manipulação durante a apuração.

Uma das fraudes conhecidas era a chamada “urna grávida”, expressão usada para descrever a colocação de cédulas previamente preenchidas dentro da urna antes do início da votação.

A informatização começou a avançar na década de 1980. Em 1985, a Justiça Eleitoral iniciou a criação de um cadastro único de eleitores e, em 1994, a totalização dos votos já havia sido informatizada, embora a apuração ainda fosse realizada manualmente. Em 1995, teve início o desenvolvimento do protótipo da urna eletrônica.

Estreia em 1996

O desenvolvimento da urna envolveu especialistas de diferentes órgãos, incluindo a Justiça Eleitoral, as Forças Armadas, o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério das Comunicações.

Inicialmente chamada de Coletor Eletrônico de Votos (CEV), a urna foi utilizada nas eleições municipais de 1996. Naquele pleito, a adoção foi parcial e alcançou cerca de um terço do eleitorado, incluindo todo o estado do Rio de Janeiro, as capitais e municípios com mais de 200 mil eleitores.

A partir das eleições municipais de 2000, todos os eleitores brasileiros passaram a votar por meio do sistema eletrônico.

A mudança também acelerou a divulgação dos resultados. Segundo o TSE, a apuração, que anteriormente poderia levar dias ou semanas, passou a ser realizada de forma automatizada, permitindo que os resultados fossem conhecidos poucas horas após o encerramento da votação.

Evolução ao longo dos anos

A urna recebeu novos recursos desde sua estreia. Em 1998, passou a apresentar a fotografia dos candidatos na tela, facilitando a identificação durante a votação.

Em 2002, foram instituídas a cerimônia pública de lacração dos sistemas e o Teste de Integridade. Dois anos depois, em 2004, os códigos-fonte dos sistemas eleitorais passaram a ser disponibilizados para auditoria.

A identificação biométrica começou a ser utilizada em 2006 e foi ampliada gradualmente nos anos seguintes.

Já em 2022, os equipamentos receberam uma atualização significativa de processamento, com capacidade 18 vezes maior, além de mudanças no terminal do mesário, que passou a utilizar uma tela sensível ao toque em modelos mais recentes.

Para as Eleições 2026, quatro modelos de urnas serão utilizados: UE2022, UE2020, UE2015 e UE2013. Os equipamentos mais novos, UE2022 e UE2020, representam 77% do total utilizado neste pleito.

Novidades nas Eleições 2026

No ano em que completa três décadas, a urna eletrônica ganhou novos recursos voltados à orientação do eleitor.

Durante a votação, a tela apresentará um intérprete de Libras, além de indicar as opções de voto nulo e branco e a legenda. Também haverá uma barra de progresso na parte superior da tela para mostrar ao eleitor quanto falta para concluir a votação.

O equipamento ainda informará a quantidade de dígitos esperada para cada cargo, ajudando o eleitor a identificar a etapa em que está durante o preenchimento do voto.

Como funciona a segurança

A segurança do sistema eletrônico é baseada em diferentes mecanismos que atuam antes, durante e depois das eleições. De acordo com o TSE, o processo conta com mais de 40 oportunidades de auditoria ao longo do ciclo eleitoral. Entre elas estão o acesso aos códigos-fonte, o Teste Público de Segurança, a cerimônia de lacração dos sistemas e os Testes de Integridade e de Autenticidade.

Os sistemas também utilizam recursos como assinatura digital, criptografia e rastreabilidade de arquivos. Partidos políticos e outras instituições autorizadas podem acompanhar diferentes etapas de fiscalização.

A urna eletrônica não é conectada à internet durante a votação e não utiliza conexões por Wi-Fi ou Bluetooth para receber os votos. Ao final do processo, os dados são armazenados e é emitido o Boletim de Urna (BU), documento que registra os resultados daquela seção e permite a conferência dos dados utilizados na totalização.

Segundo o TSE, em 30 anos de utilização do sistema, não houve comprovação de fraude capaz de alterar o resultado de uma eleição ou quebrar o sigilo do voto.

Tecnologia usada em outros países

O Brasil não é o único país a utilizar tecnologias eletrônicas nas eleições. Segundo levantamento citado pelo TSE, pelo menos 25 países utilizavam urnas eletrônicas em 2020, incluindo os Estados Unidos.

O TSE também informa que diversos países enviaram representantes para conhecer o sistema brasileiro, entre eles Alemanha, Colômbia, Estados Unidos, Índia, Japão, Itália, México e Paraguai. Alguns países chegaram a utilizar urnas eletrônicas emprestadas pelo Brasil em eleições.

Três décadas depois da estreia, a urna eletrônica continua sendo atualizada para incorporar novos recursos de acessibilidade, segurança e auditoria. A tecnologia que substituiu as cédulas de papel se tornou parte permanente do processo eleitoral brasileiro e segue em evolução para as Eleições 2026.

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