quarta-feira, 9 de setembro de 2026 11:11
Home Notícias Justíça IA cria falsos médicos e espalha desinformação no YouTube

IA cria falsos médicos e espalha desinformação no YouTube

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

 

Força-tarefa do governo federal identificou 97 perfis que simulam profissionais de saúde para divulgar curas e tratamentos sem comprovação científica

 

 

Uma força-tarefa do governo federal identificou 97 perfis no YouTube que utilizam Inteligência Artificial (IA) para simular médicos e outros profissionais de saúde e disseminar informações falsas, incluindo promessas de curas e tratamentos sem comprovação científica.

Diante da identificação dos conteúdos, a Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o Google, responsável pelo YouTube, para que adote medidas contra as contas. A notificação pede a remoção dos conteúdos em até 72 horas ou, alternativamente, a adoção de mecanismos de rotulagem e contextualização que deixem clara a natureza artificial dos personagens.

Segundo o Ministério da Saúde, os conteúdos utilizam avatares com aparência humana apresentados como médicos ou especialistas. Os personagens recebem qualificações profissionais fictícias e usam linguagem alarmista para transmitir credibilidade e convencer os usuários.

Parte dos perfis identificados é direcionada especialmente à população idosa. Em alguns casos, os falsos especialistas também utilizam a aparente autoridade dos personagens criados por IA para promover produtos, e-books e serviços pagos.

Os canais foram identificados por meio do programa Saúde com Ciência, iniciativa do Ministério da Saúde voltada ao monitoramento e ao combate à desinformação relacionada à área da saúde na internet.

Além da retirada ou identificação dos conteúdos, a plataforma deverá avaliar os demais canais e vídeos apontados no relatório do Ministério da Saúde, considerando suas próprias regras sobre desinformação em saúde e conteúdos sintéticos. A AGU também solicita medidas para prevenir a continuidade e a disseminação desse tipo de material.

A ação reúne, além do Ministério da Saúde e da AGU, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Ciência e Tecnologia.

O caso acende um novo alerta sobre os riscos do uso da Inteligência Artificial para criar personagens cada vez mais realistas e utilizá-los na divulgação de informações falsas, especialmente em temas que podem colocar a saúde e a vida da população em risco.