quinta-feira, 16 de julho de 2026 12:12
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Ansiedade, estresse e uso excessivo de telas estão entre os principais gatilhos do bruxismo

Foto de Jonas Leupe na Unsplash

 

Pesquisas indicam aumento do ranger de dentes entre crianças, adolescentes e jovens adultos, associado à sobrecarga emocional, pressão social e uso noturno de redes sociais

 

Fatores psicossociais, como ansiedade, estresse crônico e sobrecarga emocional, são atualmente reconhecidos como as principais causas do bruxismo, condição caracterizada pelo ato involuntário e inconsciente de apertar ou ranger os dentes. Ao contrário do que se acreditava no passado, o problema não está relacionado à má oclusão dentária, mas tem origem no sistema nervoso e se manifesta como um comportamento que pode ocorrer tanto durante o dia, no chamado bruxismo em vigília, quanto durante o sono.

Uma análise publicada em 2024 revelou que a prevalência global do bruxismo do sono em crianças é de aproximadamente 31%, índice superior ao observado na população em geral. O dado reforça a necessidade de investigar fatores que possam desencadear a condição, entre eles o uso excessivo de telas.

Uma das evidências mais consistentes sobre essa relação foi apresentada em um estudo publicado no International Journal of Paediatric Dentistry. A pesquisa acompanhou 213 adolescentes, entre 11 e 17 anos, durante o período de lockdown na Espanha e comparou comportamentos antes e durante o confinamento.

Os resultados mostraram que o uso noturno de redes sociais passou de uma média de 7,9 para 20,7 acessos, enquanto os níveis de ansiedade aumentaram de 18 para 32,7 pontos. No mesmo período, o índice de bruxismo autorrelatado subiu de 10,4 para 15,4. Segundo os pesquisadores, o aumento do uso de plataformas digitais durante a noite, aliado aos elevados níveis de ansiedade, esteve diretamente associado ao agravamento do bruxismo.

O estresse psicossocial também é apontado como um dos principais gatilhos para o bruxismo diurno. A maior incidência da condição é observada a partir dos 12 anos de idade, com pico entre jovens de 18 a 25 anos, fase marcada por desafios como pressão acadêmica, instabilidade financeira e intensa exposição às redes sociais.

No Brasil, pesquisas com estudantes do ensino médio identificaram prevalência entre 20% e 30%, sendo mais frequente entre meninas e adolescentes submetidos a elevados níveis de cobrança escolar. Entre universitários, os índices podem chegar a 31,8% para o bruxismo noturno e 37,9% para o bruxismo em vigília.

Especialistas também relacionam o problema a fenômenos como o FOMO (Fear of Missing Out), conhecido como o medo de ficar de fora de acontecimentos, e à busca constante por validação nas redes sociais. Esses fatores favorecem uma sobrecarga psicológica contínua, capaz de provocar tensão muscular e alterações na qualidade do sono.

Para o cirurgião-dentista Eduardo Groisman, o entendimento sobre a condição evoluiu significativamente nos últimos anos. “Mesmo sendo um dos temas mais estudados em odontologia, o bruxismo ainda é extremamente mal compreendido. O desafio hoje é entender quando esse comportamento representa um fator de risco, protetor ou simplesmente uma adaptação fisiológica”, afirma o especialista.