
Depoimento no segundo dia de julgamento aponta que prints da babá e perícia em celulares ajudaram a desmontar versão de acidente doméstico apresentada por Jairinho e Monique.
O delegado Edson Henrique Damasceno, responsável pela investigação da morte de Henry Borel em 2021, afirmou nesta terça-feira (26), durante o júri do caso no Rio de Janeiro, que mensagens extraídas do celular da babá da criança foram decisivas para desmontar a versão apresentada pelos acusados sobre a morte do menino de 4 anos.
Em depoimento no 2º Tribunal do Júri, Damasceno declarou que a análise dos prints de conversas revelou o que classificou como uma “farsa” em torno do caso.
“Se não tivessem esses prints, a mentira iria seguir”, afirmou o delegado.
À época do crime, Damasceno chefiava a 16ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, responsável pela investigação envolvendo Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva, acusados pela morte de Henry Borel.
Segundo o delegado, o caso inicialmente chegou à delegacia como um suposto acidente doméstico. No entanto, a gravidade das lesões apontadas pelo laudo cadavérico levou a polícia a seguir outra linha investigativa.
“Lesões no rim, pulmão, cabeça, fígado, equimose no corpo”, relatou Damasceno ao detalhar os ferimentos identificados pela perícia.
De acordo com o depoimento, o casal alegava que Henry havia sofrido uma queda da cama. Contudo, uma reprodução simulada realizada na residência concluiu que as lesões eram incompatíveis com esse tipo de acidente.
Damasceno afirmou que a convicção de que a criança sofria agressões anteriores surgiu após o acesso às mensagens do celular da babá Thayná de Oliveira Ferreira. As conversas, segundo ele, contradiziam depoimentos prestados inicialmente e indicavam episódios anteriores de violência.
Entre os diálogos analisados, havia relatos de que Henry teria sido trancado em um quarto com Jairinho e posteriormente saído mancando e reclamando de dores na cabeça. O delegado também afirmou que mensagens demonstram que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho.
Segundo o depoimento, conteúdos apagados foram recuperados por meio do Cellebrite, ferramenta de perícia digital usada por autoridades para extração de dados de celulares e recuperação de mensagens.
Durante a sessão, o delegado também relatou que Jairinho teria pressionado o Hospital Barra D’Or para que a morte da criança fosse atestada sem o encaminhamento do corpo ao Instituto Médico Legal (IML), o que, segundo ele, poderia comprometer a produção de provas periciais.
“Ou vocês agilizam ou eu agilizo”, teria dito Jairinho, conforme relato apresentado no tribunal.
O julgamento começou na segunda-feira (25) e deve durar cerca de cinco dias. A decisão caberá a sete jurados, após a oitiva de testemunhas de acusação e defesa.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Dr. Jairinho é acusado de homicídio qualificado, tortura, fraude processual e coação no curso do processo, entre outros crimes. Monique Medeiros responde por homicídio qualificado por omissão e outros delitos relacionados ao caso.
Durante a sessão desta terça-feira, um dos advogados de defesa de Jairinho anunciou renúncia ao caso após a Justiça negar novo pedido de adiamento do julgamento.
Com informações da Agência Brasil.









