sexta-feira, 10 de julho de 2026 11:11
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Queda no preço dos alimentos desacelera inflação

© Valter Campanato/Agência Brasil

 

Primeira deflação no grupo alimentação desde novembro de 2025 contribuiu para o menor IPCA mensal desde outubro do ano passado

A inflação oficial do país perdeu força pelo quarto mês consecutivo e fechou junho em 0,16%, impulsionada principalmente pela queda nos preços dos alimentos. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa o menor Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde outubro de 2025.

No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,64%, abaixo dos 4,72% registrados até maio, mas ainda acima do teto da meta estabelecida pelo governo, de 4,5%. Já no primeiro semestre de 2026, o IPCA acumula alta de 3,36%.

O resultado de junho também ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro. Segundo o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (6), a projeção era de uma inflação de 0,32% no mês. Para o fechamento de 2026, a estimativa dos analistas segue em 5,3%.

Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, alimentação e bebidas foi o único a apresentar queda mais expressiva, com recuo de 0,24%, retirando 0,05 ponto percentual da inflação do mês. Foi a primeira deflação do grupo desde novembro de 2025 e o menor resultado desde agosto do mesmo ano.

A alimentação consumida dentro de casa ficou, em média, 0,39% mais barata. Os principais responsáveis pela redução foram o café moído (-3,72%), frutas (-1,58%), carnes (-0,64%), açaí em emulsão (-14,41%), óleo de soja (-2,78%) e tomate (-2,02%).

Segundo o analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, o movimento reflete uma tendência de devolução das altas registradas anteriormente e o aumento da oferta de alguns produtos agrícolas, especialmente o tomate.

Enquanto os alimentos aliviaram o custo de vida das famílias, o grupo habitação exerceu a maior pressão de alta sobre o índice, com avanço de 0,63%. O principal responsável foi a energia elétrica residencial, que ficou 1,53% mais cara em junho.

O aumento foi influenciado pela manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, além dos reajustes nas tarifas de energia em cidades como Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

No grupo transportes, a principal alta foi observada nas passagens aéreas, que subiram 7,12% no mês. Em contrapartida, os combustíveis ficaram mais baratos, com queda média de 0,48%. O etanol recuou 3,09%, o óleo diesel caiu 1,19%, o gás veicular teve redução de 0,19% e a gasolina ficou 0,12% mais barata.

O índice de difusão, que mede a proporção de produtos e serviços pesquisados que registraram aumento de preços, caiu para 54% em junho, o menor patamar desde outubro de 2025. Isso significa que pouco mais da metade dos 377 itens acompanhados pelo IBGE apresentou alta no período.

Na análise por categorias, os preços de serviços avançaram 0,34%, desacelerando em relação aos 0,40% registrados em maio. Já os preços monitorados, que incluem itens como energia elétrica e combustíveis, tiveram alta de 0,29%, também inferior ao resultado do mês anterior.

O IPCA é o principal indicador utilizado pelo Banco Central para acompanhar o cumprimento da meta de inflação, atualmente fixada em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Desde 2025, a avaliação do cumprimento da meta considera o acumulado dos 12 meses imediatamente anteriores.

O índice mede a variação do custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e é calculado a partir da coleta de preços de 377 produtos e serviços em dez regiões metropolitanas, além de Brasília e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.