Fiocruz lança centro para produção nacional de terapia CAR-T e reforça atendimento do SUS

Estudos foram feitos por pesquisadores de Boston, nos Estados Unidos CDC on Unsplash

 

Nova estrutura permitirá fabricação de terapias celulares contra câncer no Brasil e amplia acesso gratuito a tratamentos avançados pelo Sistema Único de Saúde

A Fundação Oswaldo Cruz lançou neste sábado (23) o Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T, iniciativa que vai possibilitar a fabricação nacional de terapias celulares de alta complexidade para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto representa um avanço na produção de tratamentos oncológicos no país e busca ampliar o acesso da população a tecnologias consideradas inovadoras na medicina.

A terapia CAR-T é apontada como um dos maiores avanços recentes no combate ao câncer. A técnica consiste em retirar células de defesa do próprio paciente, modificá-las geneticamente em laboratório e reintroduzi-las no organismo para atacar células cancerígenas. A tecnologia produzida pela Fiocruz será voltada, principalmente, ao tratamento de leucemia, linfoma e mieloma.

Segundo a Fundação, a produção nacional permitirá reduzir custos e ampliar o acesso gratuito pelo SUS. O projeto integra o Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS), vinculado ao Novo PAC, que já destinou R$ 330 milhões à iniciativa.

O lançamento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Saúde Alexandre Padilha e do presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

Durante o evento, Lula destacou a importância do investimento em ciência e pesquisa para o desenvolvimento do país. Segundo o presidente, avanços científicos dependem de investimentos contínuos, mesmo quando os resultados não são imediatos.

A cerimônia também contou com a participação de Paulo Peregrino, um dos pacientes brasileiros submetidos ao tratamento experimental CAR-T Cell realizado pela Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto Butantan. Curado do câncer após participar da pesquisa em 2022, ele afirmou que o tratamento, avaliado em cerca de R$ 2 milhões, seria inacessível sem o SUS.

Além do centro de terapias celulares, a Fiocruz inaugurou uma nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), criada para concentrar projetos voltados ao desenvolvimento de vacinas, medicamentos, biofármacos e métodos diagnósticos para o SUS. A estrutura recebeu investimentos de R$ 370 milhões.

Segundo Alexandre Padilha, a Fiocruz exerce papel estratégico ao combinar inovação tecnológica com acesso público à saúde. O ministro afirmou que a instituição contribui diretamente para salvar vidas e fortalecer a soberania nacional na área da saúde.

Durante a agenda, o governo federal também entregou 40 veículos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para 38 municípios do estado do Rio de Janeiro, dentro do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde. O investimento ultrapassa R$ 23,3 milhões.

A cerimônia marcou ainda a entrega do primeiro micro-ônibus do programa, destinado ao transporte gratuito de pacientes do SUS que precisam se deslocar para tratamentos como radioterapia e hemodiálise em cidades distantes mais de 50 quilômetros de suas residências. Uma ambulância também foi destinada ao município de São João de Meriti.

Como homenagem aos profissionais da saúde pública, o presidente Lula e o ministro Alexandre Padilha entregaram carteiras de sanitaristas a quatro profissionais, incluindo uma homenagem póstuma ao ex-presidente da Fiocruz Sérgio Arouca, representado por suas filhas durante a cerimônia.