Casos de acidentes com animais peçonhentos aumentam 24% no Distrito Federal em 2025

Servidora do Samu-DF exibe exemplar de cobra venenosa; acidentes devem ser imediatamente comunicados, para evitar riscos maiores | Foto: Jhonatan Cantarelle/AgÊncia Saúde-DF

 

Escorpiões são responsáveis por mais de 86% das ocorrências; maioria dos casos acontece em áreas urbanas


A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) registrou 5.549 casos de acidentes com animais peçonhentos ao longo de 2025, um aumento de 24,55% em relação ao ano anterior. De acordo com o levantamento, mais de 90% das ocorrências aconteceram em áreas urbanas.

Fatores como queimadas e o início do período chuvoso contribuem para o aumento desses acidentes, especialmente nos quatro últimos meses do ano. Nesse intervalo, foi registrada uma média de 42,8 casos por semana, sendo que 86,4% das ocorrências foram provocadas por escorpiões. O restante envolveu serpentes, aranhas e lagartas.

Apesar da alta no número de casos, mais da metade das vítimas recebeu atendimento médico em menos de uma hora após o acidente. Segundo a enfermeira Geila Márcia Meneguessi, da vigilância epidemiológica da SES-DF, o acesso rápido às unidades de saúde tem contribuído para reduzir complicações.

“O atendimento é fundamental para evitar agravamentos. No Distrito Federal, a rede de serviços conta com hospitais, unidades de pronto atendimento e unidades básicas de saúde distribuídas em diferentes regiões administrativas, o que facilita o acesso da população”, afirmou.

Entre os 5.099 casos envolvendo moradores do DF, 4.676 (91,7%) foram considerados leves, enquanto 61 (1,1%) foram classificados como graves. Durante o ano, 328 pacientes precisaram receber soro antiveneno, disponível em dez hospitais da rede pública. Na maioria das situações, o tratamento envolve medidas de suporte, como controle da dor e da febre.

A bioquímica Vilma Del Lama, do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), alerta que ainda existem muitos mitos sobre os primeiros socorros nesses casos.

“Há erros comuns em caso de acidentes, como chupar a ferida ou garrotear. Mas o maior erro é não procurar assistência médica”, ressaltou.

O CIATox é vinculado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e funciona 24 horas por dia orientando profissionais de saúde e a população sobre emergências toxicológicas, inclusive acidentes com animais peçonhentos.

Animais mais comuns

Animais peçonhentos são aqueles que produzem veneno e possuem mecanismos para injetá-lo em presas ou predadores. No Distrito Federal, os acidentes mais frequentes envolvem escorpiões, especialmente o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) e o escorpião com patas rajadas (Tityus fasciolatus).

Entre as serpentes, os casos mais registrados são provocados por jararaca e cascavel. Já no grupo das aranhas, as espécies de maior importância médica na região são a aranha-armadeira (Phoneutria) e a aranha-marrom (Loxosceles).

Sintomas e orientação

Os principais sintomas após a picada ou ferroada incluem dor, inchaço e inflamação no local. Em casos mais graves, podem ocorrer dificuldade para respirar, alterações cardíacas, náuseas, vômitos, tremores e convulsões.

Especialistas reforçam que, diante de qualquer suspeita de acidente com animal peçonhento, a recomendação é procurar imediatamente atendimento médico. Em crianças, o sinal de alerta pode ser choro intenso e repentino.