Covid-19 lidera mortes por síndromes respiratórias no Brasil em janeiro

Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF

 

Sars-CoV-2 foi o vírus mais letal no início de 2025; idosos concentram a maioria dos óbitos e cobertura vacinal segue abaixo do ideal

Ao menos 29 brasileiros morreram em janeiro deste ano em decorrência de complicações causadas pela Covid-19, segundo dados do informativo Vigilância das Síndromes Gripais. O número coloca o Sars-CoV-2 como o vírus mais mortal entre os identificados no período. As autoridades de saúde alertam que os dados ainda podem ser revisados, já que parte das investigações sobre as causas de óbito permanece em andamento ou não está totalmente atualizada.

Nas quatro primeiras semanas do ano, foram registradas 163 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Desse total, 117 não tiveram o principal agente viral identificado. Entre os casos confirmados, a Covid-19 lidera com 29 óbitos, seguida pela Influenza A H3N2 e pelo rinovírus, com sete mortes cada, e pela Influenza A não subtipada, com seis registros. Outros vírus, como H1N1, Influenza B e o vírus sincicial respiratório (VSR), somaram cinco mortes.

No mesmo período, foram contabilizados 4.587 casos de SRAG, incluindo os não letais. A maioria, 3.373 casos, não teve o vírus causador identificado. O estado de São Paulo concentrou o maior número de mortes confirmadas: 15 óbitos entre 140 casos registrados.

Os dados mostram que os idosos continuam sendo os mais afetados. Das mortes registradas, 108 ocorreram em pessoas com mais de 65 anos. Entre os casos em que o Sars-CoV-2 foi identificado, 19 vítimas pertenciam a essa faixa etária. Especialistas apontam a baixa cobertura vacinal como um fator de risco adicional.

Desde 2024, a vacina contra a Covid-19 passou a integrar o calendário básico de vacinação para crianças, idosos e gestantes. Grupos especiais também devem realizar reforços periódicos. Apesar disso, a adesão tem sido um desafio. Em 2025, menos de quatro a cada dez doses distribuídas pelo Ministério da Saúde foram aplicadas. Das 21,9 milhões de vacinas enviadas a estados e municípios, apenas cerca de oito milhões chegaram à população.

Dados da plataforma InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reforçam o alerta: ao longo de 2025, pelo menos 10.410 pessoas desenvolveram quadros graves após a infecção pelo coronavírus, com cerca de 1,7 mil mortes registradas até o momento. As autoridades de saúde reforçam a importância da vacinação e da vigilância contínua para reduzir os impactos da doença.