PEC da Segurança entra na pauta do Congresso com expectativa de votação até março

Palácio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios em Brasília

Relator afirma ter apoio para acelerar tramitação, mas governo ainda negocia mudanças no texto

A chamada PEC da Segurança Pública será um dos principais focos na retomada dos trabalhos do Congresso Nacional, prevista para 2 de fevereiro. Considerada prioritária e alvo de divergências entre o Legislativo e o Executivo, a proposta tem como relator o deputado Mendonça Filho (União-PE), que projeta a aprovação do texto até meados de março e admite ajustes no conteúdo.

“Eu estou muito confiante de que essa sensibilidade da Câmara e do Congresso, do Parlamento, em favor da aprovação vai permitir que a gente acelere isso agora de fevereiro para março e aprovemos a PEC da Segurança. Essa é a minha expectativa”, afirmou o deputado em entrevista à CNN Brasil.

Segundo Mendonça Filho, o parecer apresentado por ele foi bem recebido por líderes partidários, inclusive da base aliada do governo. Ainda assim, o Palácio do Planalto defende a renegociação de pontos do texto. A proposta original foi enviada pelo Executivo, mas sofreu alterações durante a relatoria.

“A gente vai procurar sempre aprimorar, então o texto para mim não está fechado. Ele tem espaço para mudanças. Agora, a gente tem que preservar a capacidade operacional dos estados e integrar cada vez mais os estados ao governo federal e nunca subjugar os entes federados”, declarou o relator.

Entre os pontos que enfrentam resistência do governo estão possíveis entraves à integração das forças de segurança, a previsão de um referendo para a redução da maioridade penal e a suspensão de direitos políticos de presos provisórios. O Planalto aposta na recente troca no comando do Ministério da Justiça, com a posse de Wellington César, como forma de destravar as negociações.

Mendonça Filho e governadores alinhados à direita, no entanto, se posicionam contra a centralização excessiva de competências na União. “Uma centralização que não permita que as forças de segurança pública atuem, isso a gente não pode avançar. Mas o diálogo está aberto, o texto está bem construído e tem uma excelente adesão dentro da Casa. Hoje, seguramente, teríamos com facilidade mais de 360 votos, mas a gente espera aprimorar”, avaliou.

De acordo com o relator, a aprovação da PEC ainda no primeiro semestre pode abrir caminho para a criação de um novo Ministério da Segurança Pública, decisão que caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O timing é de decisão exclusiva do presidente. O Congresso avaliará a proposta quando enviada, de acordo com os argumentos apresentados”, ponderou.

O relatório foi apresentado em dezembro, mas a votação acabou adiada por acordo entre os parlamentares. A PEC já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e segue em análise em uma comissão especial. Após essa etapa, ainda precisará ser votada no plenário da Câmara.

Com forte apelo eleitoral, o tema da segurança pública figura entre as prioridades do Executivo e do Congresso em 2026. Além da PEC, a Casa também analisa o chamado “projeto Antifacção”, que endurece penas e tipifica condutas ligadas a organizações criminosas.