sexta-feira, 10 de julho de 2026 13:13
Home Notícias Economia Reforma tributária será negociada após retorno do presidente da Câmara de viagem,...

Reforma tributária será negociada após retorno do presidente da Câmara de viagem, afirma ministro da Fazenda

© Valter Campanato/Agência Brasil

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta segunda-feira (26) que a reforma tributária será negociada após o retorno do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, de sua viagem a Portugal. Segundo Haddad, o governo busca aprovar esse tema complexo com o maior número possível de votos.

“Não queremos votar essa PEC com apenas 308 votos. Queremos votar com bastante apoio porque é algo para a sociedade, para o Brasil. É uma transição lenta, mas que aponta na direção correta. Portanto, temos muito trabalho pela frente”, afirmou o ministro ao retornar do Palácio do Planalto.

Lira estará em Portugal até a próxima quarta-feira (28), participando de um fórum de debates sobre a política e a economia brasileiras. Na semana passada, o presidente da Câmara afirmou que pretende realizar um esforço concentrado e votar, na próxima semana, a reforma tributária, o novo arcabouço fiscal e as mudanças no sistema de votação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o tribunal administrativo da Receita Federal.

Durante a tarde, Haddad foi convocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reuniões no Palácio do Planalto. O ministro informou ter se encontrado com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para discutir questões relacionadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, para tratar da versão do Plano Safra voltada para agricultores familiares. No entanto, ele não deu detalhes sobre esses encontros.

Pela manhã, o ministro expressou confiança na aprovação da reforma tributária e descartou novas concessões, argumentando que a reforma terá um impacto diluído ao longo do tempo. De acordo com o relatório apresentado na última quinta-feira (22), haverá um período de oito anos de transição para a adoção do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), além de 50 anos de transição para a mudança na cobrança do tributo no destino (local onde a mercadoria é comprada).

“Estamos na reta final de uma negociação complexa, com todos se manifestando. Porém, temos um colegiado representativo do povo, da Federação, da Câmara e do Senado. E teremos uma conclusão desse processo. Estou muito confiante”, declarou o ministro.

Em relação ao projeto que restabelece o voto de desempate do governo no Carf, Haddad afirmou ser necessário superar impasses que surgiram desde que o sistema de votação foi alterado em 2020.

“Do jeito que estava, com as empresas tendo o voto de desempate, não era possível continuar. Para ter uma ideia, saímos de R$ 600 bilhões em contencioso para R$ 1,3 trilhão, e se nada for feito”.