sexta-feira, 4 de setembro de 2026 20:20
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Reinilson denuncia abandono no caso SIMVE

 

 

Um vídeo publicado nas redes sociais vem repercutindo em Goiás ao resgatar o relato de um ex-militar sobre as condições enfrentadas por integrantes do Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (SIMVE) durante a gestão do então governador Marconi Perillo. Reinilson Brito afirma ter sido baleado enquanto estava em serviço e, posteriormente, ter sido desligado sem receber o amparo que esperava do Estado.

Em tom de desabafo, Reinilson relembrou o episódio ocorrido em 2015 e criticou a condução da segurança pública naquele período.

“Em 2015, eu tomei um tiro dentro de uma viatura. Mesmo assim, o governador da época me mandou embora”, declarou.

Segundo o ex-militar, o episódio ocorreu durante uma ocorrência policial. Para contextualizar o caso, ele reproduziu no vídeo uma reportagem da época, que narrava uma ocorrência em que criminosos teriam efetuado disparos contra uma viatura, atingindo um dos policiais na região do quadril.

O homem baleado nessa ocorrência fui eu”, afirmou Reinilson.

Ele explicou que fazia parte do SIMVE e atuava fardado, em viaturas e em atividades de segurança pública, mas, segundo seu relato, sem contar com os mesmos direitos assegurados aos policiais militares efetivos.

“Eu vestia a farda da polícia. Eu exercia a função de policial militar, andava na viatura da polícia, mas sem ter os direitos que um policial tem”, afirmou.

Críticas à estrutura da segurança pública

Ao relembrar o período, Reinilson fez duras críticas à gestão de Marconi Perillo e classificou aquele momento como, em sua avaliação, um dos mais difíceis para a segurança pública de Goiás.

Ele citou problemas relacionados ao efetivo, equipamentos e armamentos utilizados pelos agentes durante as ocorrências.

“Milhares de homicídios e a gente sem colete, andando com revólver de cinco tiros na cintura, enquanto enfrentava bandido com pistolas e armas automáticas”, relatou.

Na avaliação do ex-militar, faltavam investimentos, estrutura e gestão para garantir melhores condições de trabalho aos profissionais que atuavam diretamente no enfrentamento à criminalidade.

“Faltava gestão no Estado”, afirmou.

Um ano afastado após ser baleado

Reinilson também relatou as consequências físicas provocadas pelo disparo que sofreu. Segundo ele, o tiro atingiu a região genital e o deixou por aproximadamente um ano sem condições de trabalhar normalmente.

Ele afirma que, por integrar o SIMVE, não contava com o mesmo plano de saúde disponibilizado à tropa efetiva e enfrentou dificuldades para ter acesso a atendimento médico especializado.

“Esse tiro que eu levei foi na região genital e eu fiquei um ano sem poder trabalhar direito, sem acesso a médicos especializados”, disse.

Como se não bastassem as dificuldades provocadas pelo ferimento, Reinilson relatou que, durante sua recuperação, o SIMVE foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão, segundo ele, agravou ainda mais sua situação profissional.

“Eu fui mandado embora”

Reinilson afirma que, após a mudança no regime do SIMVE, acabou desligado e ficou sem condições de continuar trabalhando na área.

O ex-militar também questionou a ausência de apoio que, segundo seu relato, recebeu naquele momento.

“Eu fui mandado embora, uma decisão que me impossibilitava de trabalhar. Pense se alguém do Estado me ligou?”, questionou.

Em tom de indignação, ele lembrou que havia colocado a própria vida em risco enquanto exercia uma atividade voltada à proteção da sociedade.

“Eu estava ali para proteger a sociedade, não estava para brincar, não”, afirmou.

Apesar do tom crítico, Reinilson disse que seu objetivo ao publicar o vídeo não seria apenas reclamar do passado, mas fazer um alerta diante das discussões políticas atuais sobre segurança pública.

Reconhecimento à segurança pública atual

Ao final do depoimento, Reinilson fez uma avaliação positiva da atual política de segurança pública de Goiás e destacou o Estado como referência nacional na área.

“O que existe é gestão, e a prova está aí, Goiás sendo referência na segurança pública em nível nacional. E é isso que a gente não pode abrir mão”, declarou.

O relato de Reinilson Brito reacende o debate sobre as condições oferecidas aos profissionais que atuam na segurança pública e sobre a importância de políticas permanentes de valorização, proteção e assistência aos agentes que colocam a própria vida em risco no cumprimento de suas funções.

As declarações sobre a gestão de Marconi Perillo apresentadas nesta reportagem correspondem ao relato e à avaliação pessoal de Reinilson Brito, conforme o vídeo divulgado nas redes sociais.

Fonte: Tudo Ok Notícias