segunda-feira, 3 de agosto de 2026 17:17
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Copom inicia reunião com expectativa de novos cortes na Selic

Mercado financeiro reduz projeções para inflação e aposta em nova queda da taxa básica de juros até o fim de 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) inicia nesta terça-feira (4) a quinta reunião de 2026 para definir os rumos da política monetária brasileira. Após dois dias de avaliações sobre os cenários econômico nacional e internacional, a decisão sobre a Taxa Selic será anunciada na noite de quarta-feira (5).

O encontro ocorre em um momento de maior otimismo do mercado financeiro, que passou a projetar novos cortes na taxa básica de juros ainda neste ano, ao mesmo tempo em que reduziu as estimativas para a inflação.

Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, o menor nível registrado em 2026, após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual promovidas pelo Copom nas reuniões de março, abril e junho.

Mercado prevê novos cortes na Selic

Na véspera da reunião, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (3), apontou mudança nas expectativas do mercado financeiro para os juros.

A mediana das projeções para a Selic no encerramento de 2026 caiu de 14% para 13,75% ao ano, após cinco semanas de estabilidade. O movimento indica que os analistas esperam pelo menos um ou dois novos cortes na taxa básica até dezembro.

A expectativa reflete a melhora gradual do cenário inflacionário e o acompanhamento da atividade econômica pelo Banco Central.

Inflação segue em queda, mas ainda acima da meta

O Boletim Focus também registrou a quinta redução consecutiva nas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país.

A estimativa para 2026 passou de 5,12% para 5,03%.

Apesar da melhora, a projeção continua acima do teto da meta contínua de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Desde janeiro de 2025, a meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que estabelece um intervalo entre 1,5% e 4,5%.

A permanência das expectativas acima do limite superior continua sendo um dos principais fatores observados pelo Copom na definição da política monetária.

Entenda o papel da Selic

A Taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Ela serve de referência para os juros praticados na economia e influencia diretamente operações de crédito, financiamentos, investimentos e aplicações financeiras.

Quando o Copom eleva a taxa básica, o crédito tende a ficar mais caro, reduzindo o consumo e contribuindo para conter a alta dos preços.

Por outro lado, quando a Selic é reduzida, o custo do crédito tende a diminuir, favorecendo o consumo das famílias, estimulando investimentos das empresas e impulsionando a atividade econômica.

Além da taxa básica, os juros cobrados pelos bancos também consideram fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro.

Como funciona a reunião do Copom

O Comitê de Política Monetária se reúne a cada 45 dias para avaliar o cenário econômico e definir o nível da taxa básica de juros.

No primeiro dia do encontro, são apresentados estudos técnicos sobre a economia brasileira e internacional, além das condições do mercado financeiro. Já no segundo dia, os integrantes do colegiado analisam os dados e deliberam sobre a Selic.

A decisão anunciada nesta quarta-feira (5) será acompanhada de perto por investidores, empresas e consumidores, uma vez que influencia diretamente o custo do crédito, os investimentos e o ritmo da economia brasileira.