segunda-feira, 3 de agosto de 2026 17:17
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24º Sesc Festclown encerra temporada e deixa lições para a vida

 

Festival reuniu mais de 50 atrações e público de sete mil pessoas no Distrito Federal, com apresentações em praças, teatros, semáforos e hospitais

Durante uma semana inteira (27/7 a 2/8), cerca de sete mil pessoas participaram das mais de 50 atrações do 24º Sesc Festclow, que reuniu artistas de todas as regiões do Brasil e de outros países. O maior festival de palhaçaria da América Latina trouxe a praças, teatros, semáforos e hospitais do Distrito Federal mágica, acrobacia, malabarismo e, principalmente, lições para a vida.

Entre sorrisos, encantos e surpresas, o público foi convidado a refletir sobre a capacidade de adaptar-se a situações difíceis, a enfrentar dificuldades sem desistir da caminhada. “O circo é resiliência. O artista cai, mas sempre se levanta. E eu acho que esse é um bom exemplo que a gente pode dar através dos nossos espetáculos, das nossas acrobacias. O circo faz a realidade mais bonita”, afirma a acrobata Pauline Zoé, da Bélgica.

A programação do 24º Sesc Festclown também instigou a plateia a questionar os próprios limites. “O circo e a mágica em geral têm uma coisa de a gente contestar a realidade. A premissa da mágica é a realização de algo impossível. E quando a gente está diante do impossível, a gente repensa o que é possível”, ensina o ator e mágico Marcelo Moraes, de São Paulo, que apresentou o espetáculo “Experimentos do Invisível”.

O circo também ensina que o sorriso pode ser ferramenta de transformação social. Para a palhaça argentina Maku Fanchulini, “o que o circo faz é acompanhar e transformar as tristezas da vida, sobretudo através do sorriso”. “Fazer sorrir é uma forma maravilhosa de fazer o bem. Neste mundo cada vez mais maluco, com tanta injustiça, mais do que nunca precisamos da ‘arma’ do sorriso”, diz a artista que arrancou gargalhadas de centenas de pessoas com o espetáculo “Metro e Meio”.

Quando todos se torna um bem compartilhado, o espaço se pavimenta com respeito, diversidade, igualdade. Essa é a mensagem dos palhaços Ankomárcio Saúde (Chaubraubrau) e Ruiberdan Saúde (Raquaquá), irmãos na vida e no picadeiro, que apresentaram “O Circo dos Irmãos Saúde”. “O circo é a metáfora da vida. Aqui no circo temos pessoas de todos os tipos e de todas as cores. Não importa de onde elas vêm ou para onde vão. Não importa quanto ganham ou a roupa que usam. Aqui no circo todos e todas são o respeitável público”, afirma Chaubraubrau. O irmão completa: “O riso não tem uniforme, não tem cor, não tem classe. O riso é importante para todos”. “Que nosso riso seja sempre para acolher, para unir; nunca para nos discriminar, nos desvalorizar e nos afastar”, diz Chaubraubrau.

Transmissão de saberes

O 24º Sesc Festclown também se consolidou como um espaço de formação e multiplicação de conhecimentos, conectando gerações e perpetuando a arte da palhaçaria.

Hugo Leonardo, o palhaço Gaubi Beijodo, foi batizado no Festclown há mais de 20 anos. “Eu tenho memórias emotivas com esse festival. Eu e minha geração fomos formados por este festival. A gente teve oportunidade de fazer oficinas com mestres do mundo inteiro, formações pelas quais não poderíamos pagar. E hoje eu vejo minha geração aqui, como facilitadores das ações formativas. Esse festival propiciou a nossa formação e a multiplicação desses saberes. Pra mim isso é lindo demais”, declara.

A geração de Hugo Leonardo se encontrou no 24º Sesc Fetclown com a geração de Tarcísio Souza, de 15 anos. Estudante de Eletroeletrônica do Instituto Federal do Triângulo Mineiro, campus Paracatu (MG), ele veio para o festival com um grupo de 26 colegas, todos da mesma escola técnica, para vivenciar a arte da palhaçaria.

Os jovens participam do Projeto Risoterapeutas, coordenado pelo professor e diretor do Grupo Cênikas, Guelber Evandro. A iniciativa existe desde 2013, e tem como objetivo utilizar a arte da palhaçaria para humanizar as relações sociais, inclusive no mundo do trabalho. “É a importância de levar o riso, de ser ouvinte, a importância de um olhar, de um abraço. É ir humanizando o mundo com pequenas sementinhas. Amanhã esses jovens serão grandes empresários, advogados, vereadores, presidentes”, conta o professor.

Para o estudante Tarcísio de Souza, os aprendizados vivenciados no 24º Festclown podem ser aplicados ao cotidiano. “Em todas as apresentações, se acontecia alguma coisa, eles (os artistas) continuavam na maior naturalidade, faziam essa apresentação continuar fluindo, com todo mundo achando engraçado. Eu vou levar isso para minha vida pessoal e profissional”, afirma.

Para além dos aprendizados destacados pelos artistas e pelo público, o 24º Sesc Festclown evidenciou seu potencial estruturante. Ao reunir dezenas de atrações nacionais e internacionais, o festival movimentou a cadeia produtiva da cultura no Distrito Federal. “Isso mostra que a arte e a cultura, quando fomentadas e defendidas como direito, alcançam a economia, a formação profissional e a própria dinâmica social do território que a acolhe”, afirma o diretor regional do Sesc-DF, Valcides de Araújo.