
Tyvaso é o primeiro tratamento autorizado no Brasil para pacientes com hipertensão pulmonar do Grupo 3, mas ainda depende de definição de preço para chegar ao mercado.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Tyvaso (treprostinila), primeiro medicamento autorizado no Brasil para o tratamento da hipertensão pulmonar associada à doença pulmonar intersticial (HP-DPI). A decisão foi publicada na quarta-feira (29).
Segundo a agência, atualmente não existe no país nenhum medicamento registrado com indicação aprovada especificamente para esse grupo de pacientes. A hipertensão pulmonar é uma doença rara caracterizada pelo aumento da pressão nas artérias dos pulmões, dificultando a circulação do sangue e aumentando o esforço do coração para bombear sangue ao restante do organismo.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é dividida em cinco grupos, conforme suas causas, características clínicas e formas de tratamento. O Tyvaso é indicado para pacientes do Grupo 3, que reúne os casos associados a doenças pulmonares e à redução da oxigenação do organismo.
O medicamento é administrado por inalação oral em quatro sessões diárias. Seu princípio ativo, a treprostinila, atua de forma semelhante às prostaciclinas, substâncias produzidas naturalmente pelo organismo que promovem o relaxamento dos vasos sanguíneos.
Segundo a Anvisa, o tratamento reduz a pressão na artéria pulmonar, melhora o fluxo de sangue entre o coração e os pulmões e aumenta o fornecimento de oxigênio ao organismo. Além disso, pode ampliar a capacidade para atividades físicas e contribuir para a melhora da qualidade de vida dos pacientes.
Apesar da aprovação do registro sanitário, o medicamento ainda não poderá ser comercializado no Brasil. Antes de chegar ao mercado, o preço máximo deverá ser definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Somente após essa etapa a empresa responsável pelo registro poderá definir a data de lançamento do produto no país.
A hipertensão pulmonar é considerada uma doença rara. Estimativas apontam que ela acomete entre duas e cinco pessoas por milhão de adultos a cada ano. Segundo a Anvisa, o tempo médio de sobrevida dos pacientes é de aproximadamente 2,8 anos. Pela classificação da agência, doenças raras são aquelas que afetam até 65 pessoas a cada 100 mil habitantes.
A doença é classificada em cinco tipos: hipertensão arterial pulmonar (HAP); hipertensão pulmonar associada a doenças do lado esquerdo do coração; hipertensão pulmonar relacionada a doenças pulmonares com hipoxemia; hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC), causada por coágulos sanguíneos; e um quinto grupo que reúne casos decorrentes de outros mecanismos, como doenças sanguíneas e sistêmicas.










