sábado, 13 de junho de 2026 12:12
Home Notícias Esportes Lesão no ligamento cruzado anterior exige recuperação cuidadosa para retorno seguro ao...

Lesão no ligamento cruzado anterior exige recuperação cuidadosa para retorno seguro ao esporte

Foto de Terry Shultz P.T. na Unsplash

 

Especialistas alertam que o sucesso após a cirurgia depende mais da qualidade da reabilitação do que do tempo de recuperação

A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das lesões mais comuns entre praticantes de atividades esportivas e costuma ganhar destaque quando afeta atletas profissionais. No entanto, longe dos holofotes, milhares de brasileiros enfrentam diariamente o mesmo problema em campos amadores, quadras esportivas, academias e partidas recreativas.

A lesão geralmente ocorre durante movimentos bruscos, mudanças rápidas de direção ou giros do corpo. Muitos pacientes relatam sentir um estalo no joelho, seguido por dor intensa, inchaço e sensação de instabilidade. Após o diagnóstico, porém, a principal preocupação costuma ser o retorno às atividades esportivas.

Perguntas como “Vou voltar a correr?”, “Vou conseguir jogar futebol novamente?” ou “Meu joelho voltará a ser o mesmo?” fazem parte da rotina dos consultórios ortopédicos. Segundo especialistas, a maioria dos pacientes consegue retornar ao esporte, mas o sucesso do processo depende de diversos fatores além da cirurgia.

Durante muitos anos, o retorno às atividades físicas era determinado principalmente pelo tempo decorrido após a reconstrução do ligamento, geralmente entre seis e nove meses. Atualmente, estudos demonstram que esse critério isolado não é suficiente para garantir segurança ao paciente.

A recuperação moderna considera fatores como força muscular, equilíbrio, controle neuromuscular, estabilidade dinâmica, capacidade de salto e confiança do paciente. Dessa forma, o retorno ao esporte deve ocorrer somente quando o joelho apresentar condições funcionais adequadas para suportar as exigências da prática esportiva.

Especialistas também destacam que a realidade dos atletas profissionais é bastante diferente daquela vivida pela maioria dos pacientes. Enquanto jogadores de elite contam com equipes multidisciplinares, fisioterapia diária e acompanhamento constante, os demais precisam conciliar a reabilitação com trabalho, estudos e compromissos familiares.

Essa diferença não significa necessariamente resultados inferiores, mas exige mais paciência e disciplina durante o processo de recuperação. A tentativa de acelerar etapas da reabilitação é apontada como um dos principais fatores de risco para novas lesões.

Além da preocupação em voltar a praticar esportes, médicos alertam para a importância de retornar de forma segura. Estudos mostram que pacientes que retomam atividades antes de atingir critérios adequados de recuperação apresentam maior risco de romper novamente o ligamento ou sofrer lesões no joelho oposto.

Outro fator de atenção é o aumento do risco de desenvolvimento precoce de artrose, especialmente em casos que envolvem lesões associadas de menisco ou cartilagem. Por isso, a cirurgia, a reabilitação e o retorno ao esporte devem ser encarados como parte de uma estratégia de longo prazo para preservar a saúde articular.

De acordo com o ortopedista e professor afiliado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Leonardo Addeo, a ciência tem demonstrado que o êxito do tratamento não depende apenas da reconstrução do ligamento, mas principalmente da qualidade da recuperação e do respeito aos critérios que indicam quando o joelho está realmente preparado para voltar ao jogo.

A mensagem dos especialistas é clara: na maioria dos casos, o retorno ao esporte é possível. Contudo, mais importante do que voltar rapidamente é garantir que o paciente esteja preparado para continuar praticando atividades físicas com segurança e qualidade de vida por muitos anos.