
Presidente brasileiro participará de debates sobre crescimento econômico, parcerias internacionais e regulação de grandes empresas de tecnologia, evitando citar diretamente os Estados Unidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve utilizar sua participação na Cúpula do G7, que será realizada nos dias 16 e 17 de junho em Évian-les-Bains, na França, para defender o fortalecimento do multilateralismo e criticar medidas consideradas unilaterais e protecionistas no comércio internacional. Apesar do posicionamento, o governo brasileiro não pretende mencionar diretamente as recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Segundo fontes do Palácio do Planalto, a estratégia será transmitir recados diplomáticos de forma indireta, mesmo com a presença do presidente norte-americano Donald Trump no encontro. A avaliação do governo é de que uma cúpula multilateral não é o espaço adequado para críticas direcionadas a países específicos, diferentemente do tom adotado por Lula em discursos realizados no Brasil.
Até o momento, não há previsão de uma reunião bilateral entre Lula e Trump durante o evento. O Planalto optou por não solicitar um novo encontro formal, argumentando que não existe necessidade imediata após a recente reunião realizada na Casa Branca. Assim, uma conversa oficial entre os dois líderes é considerada improvável, embora um contato informal possa ocorrer à margem da cúpula.
Nos últimos meses, a relação entre Brasil e Estados Unidos enfrentou momentos de tensão. Entre os episódios que contribuíram para o desgaste diplomático estão a decisão norte-americana de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e as ameaças de aplicação de tarifas comerciais, incluindo uma taxação de 25% relacionada à chamada “Seção 301” e outra de 12,5% sob alegações de falhas no combate ao trabalho forçado.
Lula embarca para a França neste domingo (15) e participará das sessões abertas aos países convidados. Na terça-feira (16), os debates serão voltados para parcerias internacionais. Já na quarta-feira (17), os líderes discutirão estratégias para um crescimento econômico equilibrado. Também está previsto um almoço dedicado ao debate sobre a atuação e a responsabilização das grandes empresas de tecnologia.
Além da participação nos debates multilaterais, o presidente brasileiro deverá realizar reuniões bilaterais com autoridades estrangeiras. Estão confirmados encontros com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o presidente da França, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula.
No encontro, Lula também pretende reforçar uma pauta recorrente de sua política externa: a ampliação da participação dos países emergentes nos principais fóruns globais de decisão. O presidente deve retomar argumentos apresentados anteriormente em reuniões do G20 e dos Brics, defendendo uma governança internacional mais representativa e equilibrada.









