
Especialistas defendem que investidores devem priorizar estratégia e objetivos pessoais, em vez de buscar ganhos rápidos e produtos de alta rentabilidade
A ideia de que investir é uma forma rápida de multiplicar dinheiro ainda está presente na cultura financeira brasileira. No entanto, especialistas alertam que essa visão pode levar a decisões impulsivas, à contratação de produtos inadequados e até mesmo ao endividamento. Para eles, o principal caminho para transformar essa realidade é a educação financeira.
Segundo a apresentadora do programa Resenha do Dinheiro, Marilia Fontes, o problema começa na forma como bancos e corretoras apresentam as opções de investimento aos clientes. De acordo com ela, muitos investidores são tratados como consumidores de produtos financeiros, recebendo ofertas que priorizam a rentabilidade das instituições e não necessariamente seus próprios objetivos.
“Hoje, o investidor ainda é visto muito mais como um consumidor de produtos financeiros, e só a educação financeira pode mudar esse cenário”, afirma Marilia.
O educador financeiro Thiago Godoy destaca que não existe um investimento ideal para todas as pessoas. Para ele, a escolha deve considerar a realidade, os objetivos e o perfil de cada investidor. “O melhor investimento é aquele que faz sentido para os objetivos e para a realidade de cada pessoa. Focar apenas na rentabilidade pode ser uma armadilha. O mais importante é a estratégia”, explica.
A discussão também envolve o aumento da complexidade dos produtos financeiros disponíveis no mercado. O fundador e CEO da plataforma Yubb, Bernardo Pascowitch, observa que, à medida que a população amplia seus conhecimentos financeiros, surgem investimentos cada vez mais sofisticados, exigindo aprendizado contínuo.
“Conforme a população brasileira se educa mais financeiramente, os produtos vão se tornando mais complexos. Essa educação continua para sempre”, ressalta.
Pascowitch também chama atenção para a cultura do imediatismo e para a busca constante por retornos rápidos. Segundo ele, investir deve ser encarado como uma construção gradual de patrimônio, e não como uma aposta.
“As pessoas precisam entender que investimentos não são apostas, não são ferramentas para enriquecimento rápido. A ideia do investimento não é adrenalina, é liberdade. É construir patrimônio ao longo do tempo”, afirma.
O debate foi realizado durante o programa Resenha do Dinheiro, iniciativa apoiada pela B3 e pela gestora de investimentos BlackRock. A atração reúne especialistas para discutir temas econômicos e financeiros de forma acessível, buscando ampliar o conhecimento da população sobre investimentos, planejamento financeiro e formação de patrimônio.









