
O uso de cigarros eletrônicos e do tabaco convencional continua sendo uma ameaça significativa à saúde respiratória, mesmo quando o usuário não apresenta sintomas aparentes. O alerta foi feito pela infectologista e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Nancy Bellei, durante entrevista ao programa CNN Sinais Vitais, apresentado pelo médico Roberto Kalil, neste sábado (5).
Segundo a especialista, muitos fumantes acreditam, de forma equivocada, que seus pulmões permanecem saudáveis apenas porque não sentem desconfortos ou dificuldades respiratórias. No entanto, ela ressalta que os danos provocados pelo tabagismo começam muito antes do surgimento dos sintomas.
“Somente o fato de ser tabagista, independentemente do tipo de cigarro utilizado, já provoca alterações no trato respiratório”, afirmou.
De acordo com Nancy Bellei, essas alterações favorecem a ação de vírus e outros agentes infecciosos. Isso ocorre porque as células inflamadas tornam o organismo mais vulnerável, dificultando a resposta imunológica e aumentando o risco de complicações.
A especialista também destacou a crescente preocupação com a popularização dos cigarros eletrônicos entre os jovens. Estudos realizados no Reino Unido apontam aumento nas hospitalizações de pacientes jovens com doenças respiratórias associadas ao uso do vape, reforçando os alertas sobre os riscos do produto.
Além dos efeitos relacionados ao tabagismo, a infectologista abordou medidas simples que podem ajudar na prevenção e no alívio de infecções respiratórias. Entre elas, destacou a lavagem nasal com soro fisiológico, prática que auxilia na remoção de secreções e partículas presentes nas vias aéreas superiores.
“Quando você faz a lavagem com soro fisiológico, acaba limpando toda a região da faringe e da laringe, locais onde muitos vírus se replicam”, explicou.
Segundo a médica, a higiene nasal continua sendo recomendada mesmo em casos de gripe sem sintomas como coriza ou espirros, funcionando como um recurso complementar para reduzir a carga viral nas vias respiratórias.
Nancy Bellei também reforçou outras medidas preventivas, como o uso de máscaras em situações de risco, a higienização frequente das mãos, a ingestão adequada de líquidos, o repouso e a manutenção de uma alimentação equilibrada.
Durante a entrevista, a especialista lembrou ainda que já existe vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), um dos principais responsáveis por infecções graves em idosos e pessoas com doenças crônicas. Atualmente, o imunizante está disponível apenas na rede privada de saúde para esses grupos prioritários.
Para os especialistas, a combinação entre hábitos saudáveis, vacinação e a redução do consumo de produtos derivados do tabaco é fundamental para diminuir o risco de doenças respiratórias e preservar a saúde pulmonar a longo prazo.








