sexta-feira, 24 de julho de 2026 13:13
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Comer bem também é cuidar do intestino

Fotos: Divulgação

 

Alimentação equilibrada fortalece o intestino, reduz inflamações e ajuda a prevenir doenças

Muito além de matar a fome ou controlar o peso, a alimentação influencia diretamente o funcionamento do organismo. Estudos mostram que uma alimentação rica em açúcares, gorduras e alimentos ultraprocessados, aliada à baixa ingestão de fibras, pode comprometer o equilíbrio do intestino e favorecer o surgimento de processos inflamatórios relacionados a doenças como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. Apesar disso, pequenas mudanças na rotina já são capazes de promover benefícios importantes para a saúde.

Bilhões de microrganismos vivem no intestino e desempenham funções essenciais para o organismo. Eles auxiliam na digestão, participam da absorção de nutrientes e ajudam a proteger o corpo contra doenças. Quando essa comunidade está equilibrada, o organismo funciona melhor. No entanto, segundo a nutricionista da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Vicente Pires, Bruna Pires, uma alimentação baseada em produtos ultraprocessados pode alterar esse equilíbrio. 

“Esse padrão alimentar reduz as bactérias benéficas e favorece o crescimento de outras que estimulam inflamações, prejudicando a proteção natural do intestino e dificultando o funcionamento adequado do organismo”, explica.

Como a alimentação protege o intestino

Esse desequilíbrio nem sempre provoca sintomas intensos no início, mas costuma dar sinais que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia. Inchaço abdominal, excesso de gases, prisão de ventre ou diarreia, desconforto após as refeições, sensação constante de cansaço e até uma maior frequência de infecções podem estar relacionados aos hábitos alimentares.

“Preservar a saúde intestinal pode ser mais simples e acessível do que muitas pessoas imaginam. O tradicional prato com arroz, feijão, verduras e legumes continua sendo um grande aliado, assim como frutas, aveia, cereais integrais e azeite de oliva” Bruna Pires, nutricionista da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Vicente Pires

Bruna destaca que esses sintomas merecem atenção, pois podem indicar que o intestino não está funcionando da forma como deveria e que o organismo já sofre as consequências desse desequilíbrio.

Além de participar da digestão, o intestino exerce papel importante na imunidade, na produção de vitaminas e na comunicação com o cérebro. Para a nutricionista, quando esse órgão está saudável, o organismo absorve melhor os nutrientes, fortalece as defesas naturais, reduz inflamações e favorece o bem-estar físico e emocional.

“Apesar dos riscos associados aos alimentos ultraprocessados, preservar a saúde intestinal pode ser mais simples e acessível do que muitas pessoas imaginam. O tradicional prato com arroz, feijão, verduras e legumes continua sendo um grande aliado, assim como frutas, aveia, cereais integrais e azeite de oliva”, afirma.

Alimentos como iogurte natural e kefir, uma bebida probiótica fermentada, também ajudam a manter o equilíbrio das bactérias benéficas do intestino. A especialista ressalta, no entanto, que probióticos devem ser consumidos apenas com orientação de um médico ou nutricionista.

Pequenas escolhas fazem diferença

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Os benefícios de uma alimentação equilibrada podem ser percebidos por quem decide mudar os próprios hábitos. Foi o que aconteceu com a empresária Samila Espíndola, de 31 anos, que cresceu consumindo muitos alimentos industrializados, mas resolveu rever a rotina alimentar ao perceber que seu corpo já não respondia da mesma forma. 

“Eu consumia muitos ultraprocessados. Cresci com esse hábito, mas, com o passar dos anos, fui percebendo que quanto mais eu comia esse tipo de alimento, pior meu organismo reagia. Foi aí que comecei a reduzir esse consumo e senti uma melhora significativa”, relata Samila.

Para Bruna Pires, cuidar da alimentação não significa abrir mão do prazer de comer, mas fazer escolhas mais conscientes na maior parte do tempo. “Substituir refrigerantes por água, incluir uma fruta entre as refeições, trocar alimentos refinados por integrais e aumentar o consumo de legumes e verduras são atitudes que, mantidas ao longo dos anos, ajudam a proteger o intestino e reduzem o risco de doenças relacionadas à inflamação”, pontua.

A nutricionista explica que uma boa forma de compreender essas escolhas é observar o grau de processamento dos alimentos. A classificação Nova, desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) e adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, verduras, carnes, ovos, leite e cereais integrais.

Ingredientes culinários, como óleo, manteiga, açúcar e sal, devem ser utilizados com equilíbrio no preparo das refeições. Já os alimentos processados, como queijos, pães e conservas, podem fazer parte da alimentação com moderação. Os ultraprocessados, por sua vez, ricos em aditivos químicos e formulações artificiais, devem ter o consumo reduzido.

Mais do que seguir tendências ou dietas da moda, manter uma alimentação equilibrada representa um investimento diário na saúde. Pequenas escolhas feitas à mesa ajudam a fortalecer o intestino, prevenir doenças e promover mais qualidade de vida. “Cada refeição oferece uma oportunidade de fortalecer o organismo, preservar a saúde e construir um futuro com mais qualidade de vida”, ressalta a nutricionista.

 

Com informações da Agência Brasília