Queda nas exportações de café e alta nas importações reduzem superávit da balança comercial

© 26.07.2020/Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Resultado é o mais baixo para o mês em seis anos, apesar de exportações em nível elevado

 

 

 

A balança comercial brasileira registrou em março o superávit mais baixo para o mês em seis anos, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços nesta terça-feira (7). No período, as exportações superaram as importações em US$ 6,405 bilhões, uma queda de 17,2% em relação ao mesmo mês de 2025.

O resultado é o menor para meses de março desde 2020, no início da pandemia de Covid-19, quando o superávit foi de US$ 4,046 bilhões. Apesar da redução no saldo, o volume exportado segue elevado: as exportações somaram US$ 31,603 bilhões, alta de 10% na comparação anual, sendo o segundo maior valor da série histórica para o mês. Já as importações alcançaram US$ 25,199 bilhões, com crescimento expressivo de 20,1% e recorde desde o início da série, em 1989.

Entre os fatores que pressionaram o resultado está a forte queda nas exportações de café, que recuaram 30,5% em relação a março do ano passado, com redução de 31% no volume embarcado. A variação é atribuída, principalmente, a diferenças no cronograma de exportações.

Por outro lado, as exportações foram impulsionadas por setores como a indústria extrativa, que cresceu 36,4%, puxada pelo petróleo, e pela indústria de transformação, com alta de 5,4%. Produtos como óleos brutos de petróleo, carne bovina, combustíveis e ouro tiveram desempenho de destaque. No setor agropecuário, houve crescimento mais moderado, de 1,1%, com destaque para animais vivos, algodão e soja.

No caso do petróleo, o aumento das exportações chegou a US$ 1,971 bilhão na comparação anual, embora haja expectativa de desaceleração nos próximos meses. Isso se deve à implementação de uma alíquota temporária de 12% sobre a exportação do produto, adotada como medida para conter a alta dos combustíveis após o início da guerra no Oriente Médio.

Já as importações cresceram principalmente devido ao aumento nas compras de veículos do exterior, que subiram US$ 755,7 milhões em relação a março de 2025. Também houve alta relevante na aquisição de medicamentos, fertilizantes e automóveis de passageiros.

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a balança comercial registra superávit de US$ 14,175 bilhões, valor 47,6% superior ao do mesmo período do ano passado. O resultado é o terceiro maior da série histórica, impulsionado pela ausência de operações pontuais, como a importação de uma plataforma de petróleo registrada em fevereiro de 2025.

As projeções oficiais do Mdic indicam que o Brasil deverá encerrar 2026 com superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, acima dos US$ 68,1 bilhões registrados em 2025. A expectativa é de que as exportações atinjam US$ 364,2 bilhões, enquanto as importações devem somar US$ 280,2 bilhões no ano.

Apesar do cenário positivo projetado pelo governo, estimativas do mercado financeiro são mais conservadoras. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, o superávit da balança comercial deve fechar 2026 em torno de US$ 70 bilhões.