sábado, 20 de junho de 2026 10:10
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Reajuste do diesel reacende debate sobre estrutura do mercado de combustíveis no Brasil

Federação dos petroleiros critica modelo atual e defende fortalecimento da Petrobras em toda a cadeia do setor

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou nesta sexta-feira (13) que o reajuste do diesel anunciado pela Petrobras evidencia “graves limitações na estrutura do mercado de abastecimento no Brasil”. Segundo a entidade, mudanças ocorridas nos últimos anos, como a venda de refinarias e a privatização da BR Distribuidora em 2019, reduziram a capacidade de coordenação da cadeia de combustíveis no país.

Em nota, a federação defendeu que a Petrobras amplie o parque nacional de refino e fortaleça sua presença em toda a cadeia do setor, incluindo distribuição e comercialização de combustíveis. Para a entidade, uma companhia integrada poderia aumentar a segurança energética e reduzir a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional.

“Uma Petrobras integrada amplia a segurança do abastecimento, reduz a vulnerabilidade do país às oscilações externas e contribui para maior estabilidade na formação dos preços dos combustíveis no mercado doméstico”, afirma o comunicado da federação.

Reajuste no preço do diesel

O posicionamento da FUP ocorre após a Petrobras anunciar um aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras, reajuste que passa a valer a partir deste sábado (14). Com a mudança, o preço médio do diesel comercializado pela estatal para distribuidoras passa a ser de R$ 3,65 por litro. A participação da Petrobras no preço final do diesel B, vendido nos postos, será de cerca de R$ 3,10 por litro.

O diesel A corresponde ao combustível produzido nas refinarias antes da mistura com biocombustíveis. Já o diesel B é o produto final comercializado ao consumidor, após a mistura obrigatória realizada pelas distribuidoras.

Influência do cenário internacional

De acordo com a Petrobras, o reajuste poderia ter sido maior, mas foi parcialmente compensado por medidas anunciadas pelo governo federal para conter a alta dos combustíveis. Ainda assim, o aumento das cotações internacionais do petróleo tem pressionado os preços no mercado interno.

A escalada no valor do petróleo está ligada à intensificação do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Uma das possíveis respostas do governo iraniano ao conflito seria o bloqueio do Estreito de Ormuz, corredor marítimo que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

A ameaça de restrição ao tráfego na região já impacta o mercado global. Nesta sexta-feira, o contrato futuro do barril de petróleo Brent — referência internacional de preços — era negociado próximo de US$ 100 (cerca de R$ 520). Há duas semanas, a cotação estava próxima de US$ 70, o que representa uma alta aproximada de 40% em apenas 15 dias.

Diante da tensão geopolítica, autoridades do Irã chegaram a alertar a comunidade internacional para a possibilidade de o preço do petróleo atingir US$ 200 por barril caso o conflito se intensifique.