quinta-feira, 17 de setembro de 2026 13:13
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Produção agrícola brasileira cresce 18,2% e atinge recorde em 2025

© Wenderson Araujo/Trilux

 

Safra chegou a 345,4 milhões de toneladas e valor da produção alcançou R$ 927,2 bilhões, segundo o IBGE.

A agricultura brasileira produziu 345,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2025, um crescimento de 18,2% em relação ao ano anterior. Em 2024, a produção havia sido prejudicada por condições climáticas desfavoráveis associadas aos efeitos do fenômeno El Niño.

O valor da produção agrícola também avançou. O montante chegou a R$ 927,2 bilhões, alta de 18,4% em relação a 2024. O valor é calculado a partir do volume produzido e dos preços praticados na comercialização, em moeda corrente de cada ano, sem correção pela inflação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado de 2025 é o maior pelo menos desde a criação do Plano Real, em 1994.

Os dados fazem parte da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada nesta quinta-feira (17) pelo IBGE.

Área colhida supera 100 milhões de hectares

Pela primeira vez, o país também ultrapassou a marca de 100 milhões de hectares de área colhida. Em 2025, foram 100,6 milhões de hectares, crescimento de 4,4% em relação ao ano anterior.

A área corresponde a aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados, dimensão superior à do estado de Mato Grosso, que possui 903,2 mil km², e próxima à extensão territorial da Bolívia, com 1,10 milhão de km².

Soja lidera produção

A soja permaneceu como o principal produto agrícola brasileiro em valor de produção. O grão respondeu por 34% do total, com R$ 315,2 bilhões, mantendo o Brasil na liderança mundial em produção e exportação.

A produção de soja cresceu 14,4% em um ano e alcançou 165,2 milhões de toneladas, 20,8 milhões de toneladas a mais que em 2024.

Segundo o IBGE, a conjuntura internacional contribuiu para a manutenção dos preços. A guerra tarifária entre Estados Unidos e China aumentou a procura chinesa pela soja brasileira, mantendo os preços internos da commodity estáveis nos últimos meses de 2025.

Os dez produtos com maior valor de produção foram:

  • Soja: R$ 315,2 bilhões
  • Milho: R$ 122,1 bilhões
  • Cana-de-açúcar: R$ 108,9 bilhões
  • Café: R$ 100 bilhões
  • Algodão: R$ 40,6 bilhões
  • Laranja: R$ 23 bilhões
  • Arroz: R$ 19,6 bilhões
  • Mandioca: R$ 18,9 bilhões
  • Banana: R$ 16,4 bilhões
  • Fumo: R$ 14,4 bilhões

O algodão teve crescimento de 16,4% na produção, chegando a 6 milhões de toneladas. Segundo o IBGE, avanços tecnológicos, investimentos em sustentabilidade e eficiência produtiva, principalmente no Cerrado e em Mato Grosso, contribuíram para que o Brasil se tornasse o maior exportador mundial do produto.

O café também registrou alta expressiva no valor da produção, que cresceu 44,7% e se aproximou de R$ 100 bilhões. A produção chegou a 3,4 milhões de toneladas, aumento de 3%, apesar de limitações provocadas por fatores climáticos e naturais. A valorização do preço da saca no mercado internacional foi apontada como principal fator para o avanço do valor produzido.

Mato Grosso lidera entre os estados

Mato Grosso manteve a liderança nacional em valor da produção agrícola, com R$ 165,6 bilhões, crescimento de 37,1% em relação a 2024. O estado respondeu por 17,9% de toda a produção agrícola brasileira em valor.

Na sequência aparecem São Paulo (R$ 124 bilhões), Minas Gerais (R$ 109,4 bilhões), Paraná (R$ 87,7 bilhões), Goiás (R$ 72,7 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 71,3 bilhões), Bahia (R$ 55,5 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 47,8 bilhões), Pará (R$ 38,4 bilhões) e Espírito Santo (R$ 33,7 bilhões).

Centro-Oeste volta à liderança regional

O Centro-Oeste voltou a superar o Sudeste em valor da produção agrícola em 2025. A região registrou R$ 288 bilhões, crescimento de 31,8% em um ano, impulsionado principalmente por soja, milho e algodão.

O Sudeste somou R$ 271 bilhões, com destaque para café e cana-de-açúcar. O Sul registrou R$ 181,1 bilhões, enquanto o Nordeste alcançou R$ 113,7 bilhões e o Norte, R$ 73,4 bilhões.

O Centro-Oeste havia perdido a liderança para o Sudeste em 2024, mas retomou a primeira posição em 2025. A região esteve à frente do Sudeste entre 2018 e 2023, após anos de liderança sudestina.