quinta-feira, 17 de setembro de 2026 01:01
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Escassez de memória pressiona fabricantes de celulares e laptops

Foto de Brian Kostiuk na Unsplash

 

Falta de chips leva empresas a redesenhar produtos, reforçar testes contra falsificações e adotar diferentes estratégias para absorver o aumento dos custos.

Fabricantes independentes de celulares e laptops estão redesenhando produtos, testando chips recebidos para identificar possíveis falsificações e adotando diferentes estratégias para lidar com o aumento dos custos provocado pela escassez de memória. As empresas esperam que a falta de componentes continue pressionando o mercado até 2027.

Executivos de três fabricantes afirmam que a disponibilidade dos chips, e não apenas o preço, é atualmente o principal fator de limitação. Para Raymond van Eck, diretor executivo da fabricante holandesa de telefones reparáveis Fairphone, não ter acesso aos componentes significa ficar fora do mercado.

“Se você não tiver alocação, está fora do jogo de qualquer maneira”, disse.

Em julho, o CEO da fabricante de memórias SK Hynix afirmou que 2027 poderá ser “o pior ano da história do setor em termos de oferta”, com a demanda por memória superando a capacidade disponível.

Uma previsão da Counterpoint Research, divulgada em junho, apontou que as remessas globais de smartphones devem cair 13,9% neste ano, para 1,08 bilhão de unidades. Se confirmada, será a maior queda anual já registrada, em um cenário no qual o aumento dos custos de memória torna economicamente inviável a produção de aparelhos de entrada.

Alta dos preços perde força, mas escassez continua

A pressão sobre os preços de memória diminuiu em relação ao início do ano, mas a oferta continua restrita. A TrendForce prevê aumento de 13% a 18% nos preços dos contratos de memória volátil convencional (DRAM) neste trimestre. No primeiro trimestre, a alta havia ficado entre 93% e 98%.

A Jolla, fabricante finlandesa de celulares fundada por ex-engenheiros da Nokia, informou que o volume combinado de armazenamento e DRAM atingiu o pico no fim de março e permaneceu nesse nível desde então. O comportamento contrariou previsões feitas na primavera de que a disponibilidade poderia dobrar até o outono.

“Estamos muito felizes com isso, claro, por enquanto”, afirmou o CEO da empresa, Sami Pienimäki. Segundo ele, a normalização do fornecimento deve ocorrer somente a partir de 2028.

Para Nirav Patel, diretor executivo da Framework, fabricante norte-americana de laptops reparáveis, a dimensão do desequilíbrio entre oferta e demanda ficou evidente no fim do ano passado. O cenário levou fabricantes a tentar garantir o máximo possível de componentes e estoques no menor prazo, contribuindo para agravar a escassez.

Sem condições de manter grandes estoques, a Framework passou a fazer pedidos irrevogáveis com bastante antecedência, mesmo sem saber qual será o preço final, o prazo de entrega ou o volume disponível.

Fabricantes adaptam projetos

A escassez também está levando empresas a modificar a forma como desenvolvem seus produtos. A Jolla projetou duas variantes de placa-mãe para permitir a substituição do encapsulamento combinado por chips individuais.

A estrutura dos aparelhos já havia sido desenvolvida para manter a memória de forma modular. Com isso, os clientes podem utilizar componentes reaproveitados de máquinas mais antigas.

A empresa também realiza testes de estresse em amostras de cada lote recebido. O objetivo é verificar se os chips são novos e evitar a aquisição de peças recondicionadas que estejam sendo revendidas como novas.

Segundo Pienimäki, em períodos de forte alta dos preços, os vendedores acompanham o movimento do mercado.

A memória pode representar quase 60% do custo dos componentes de celulares vendidos por cerca de US$ 400, de acordo com van Eck. Diante desse cenário, cada fabricante adota uma estratégia diferente para lidar com os custos adicionais.

A Framework reajusta os preços rapidamente conforme os custos dos componentes aumentam. A Jolla passou a oferecer uma opção paga de upgrade de memória. Já a Fairphone decidiu não elevar os preços dos aparelhos.