quinta-feira, 17 de setembro de 2026 01:01
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Entidades consideram tímido corte da Selic para 13,75% ao ano

© José Cruz/Agência Brasil

 

Representantes da indústria e dos trabalhadores defendem continuidade da redução dos juros e avaliam que o corte ainda não alivia de forma significativa o custo financeiro.

A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, foi considerada insuficiente por representantes da indústria e dos trabalhadores. As entidades classificaram o corte como “tímido” e afirmaram que a decisão ainda não proporciona alívio significativo para a situação financeira de empresas e famílias.

O corte foi anunciado nesta quarta-feira (16) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Esta foi a quinta redução consecutiva da taxa.

Após o anúncio, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou, em nota, que houve excesso de prudência por parte do Copom diante da trajetória recente de desaceleração da inflação.

Segundo a entidade, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,22% até agosto, enquanto as expectativas do mercado também apresentaram melhora, indicando uma convergência gradual em direção à meta de 3% ao ano no horizonte relevante para a política monetária.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu a continuidade do ciclo de redução da Selic. Para ele, a manutenção de juros elevados por um período prolongado impõe custos à economia.

“É essencial que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic. Manter a taxa básica em patamar tão restritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade de preços. Há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta”, afirmou.

A CNI também destacou que, mesmo com a redução, a política monetária permanece restritiva. Com a Selic em 13,75% ao ano, o juro real está em torno de 9%, cerca de quatro pontos percentuais acima da taxa real neutra estimada pelo Banco Central, de 5% ao ano.

Trabalhadores defendem mais cortes

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) avaliou que a redução representa um passo importante, mas ainda é insuficiente diante do nível dos juros no país.

Para Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, a Selic influencia diretamente o custo de empréstimos e financiamentos. Segundo ela, mesmo que os efeitos da redução demorem a chegar ao consumidor, o corte abre espaço para uma trajetória de crédito mais barato.

A representante também afirmou que a desaceleração dos preços e da atividade econômica cria condições para que o Banco Central avance na redução dos juros.

“O debate precisa ir além dos indicadores do mercado financeiro. Juros menores significam condições mais favoráveis para o crédito, investimentos, geração de empregos e redução do custo financeiro que pesa sobre famílias, empresas e o orçamento público”, afirmou.

A Força Sindical também considerou o corte de 0,25 ponto percentual muito tímido e classificou a decisão como um “balde de água fria” para a economia no quarto trimestre.

Segundo a central, uma redução maior poderia estimular o setor produtivo e os investimentos. A entidade criticou ainda a política de juros elevados, que, em sua avaliação, prejudica a capacidade de consumo das famílias, reduz a confiança dos empresários e desestimula investimentos.

Construção civil

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) considerou positiva a redução da Selic, mas destacou a necessidade de continuidade do movimento de queda. A entidade ressaltou que a taxa permanece elevada e continua impondo desafios ao setor produtivo, além de limitar uma retomada mais consistente do crédito e dos investimentos.

Para o presidente da CBIC, Eduardo Almeida, o atual patamar dos juros evidencia o desafio enfrentado pelos empresários brasileiros, especialmente no setor da construção, que depende de crédito e trabalha com projetos de longo prazo.

“Estamos com juros de dois dígitos desde o início de 2022, o que representa um grande desafio para o empresário, especialmente em um setor como a construção, que trabalha com projetos de longo prazo e depende de crédito e previsibilidade. Precisamos avançar na construção de um ambiente macroeconômico estável, que permita a continuidade desse movimento de redução dos juros de forma sustentável e estimule novos investimentos”, afirmou.