
Novo valor representa aumento de 7,4% sobre o piso atual e ainda depende da inflação acumulada até novembro de 2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta segunda-feira (24) que o salário mínimo poderá chegar a R$ 1.741 em 2027. A previsão será incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que deverá ser encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional até 31 de agosto.
O valor representa um aumento de R$ 120, ou 7,4%, em relação ao salário mínimo atual, de R$ 1.621. A nova projeção também supera em R$ 24 a estimativa de R$ 1.717 apresentada pelo governo em abril, durante a elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Apesar da previsão, o valor ainda não é definitivo. O salário mínimo de 2027 será calculado considerando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro de 2026, além do ganho real previsto na legislação.
Valor ainda pode mudar
A projeção de R$ 1.741 depende do comportamento da inflação ao longo de 2026. O INPC é utilizado como referência para o reajuste do salário mínimo e considera a variação de preços para famílias de menor renda.
Pela regra atualmente vigente, o cálculo combina a inflação medida pelo INPC com um ganho real de 2,5%, dentro dos limites estabelecidos pela legislação. Por isso, alterações na inflação efetivamente registrada até novembro poderão modificar o valor inicialmente projetado.
Caso a estimativa seja confirmada, o reajuste representará ganho real no poder de compra dos trabalhadores e beneficiários que recebem o piso nacional.
Reajuste terá impacto nas contas públicas
A elevação do salário mínimo também terá reflexos sobre as contas do governo federal. Isso ocorre porque diversos benefícios previdenciários e assistenciais são vinculados ao valor do piso nacional.
Entre os pagamentos afetados estão aposentadorias e pensões do INSS, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial. A contribuição previdenciária dos Microempreendedores Individuais (MEIs) também é influenciada pelo valor do salário mínimo.
Segundo Durigan, o reajuste segue a legislação e prioriza a população de menor renda.
“Cumprindo a legislação brasileira, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a Previdência e para os benefícios sociais que têm indexação no salário mínimo”, afirmou o ministro.
Ao mesmo tempo em que aumenta a renda de milhões de brasileiros, o reajuste eleva as despesas obrigatórias do governo. O impacto fiscal é considerado um dos principais fatores no planejamento do Orçamento federal.
Efeito na economia
O aumento do salário mínimo também pode estimular o consumo, principalmente entre as famílias de menor renda. Com maior renda disponível, parte dos beneficiários e trabalhadores tende a ampliar os gastos com produtos e serviços essenciais.
Por outro lado, o crescimento das despesas vinculadas ao piso nacional reduz a margem do governo para ampliar outros gastos públicos. O desafio, portanto, é conciliar a valorização do salário mínimo com o controle das contas públicas.
O ministro da Fazenda afirmou que o governo pretende controlar o crescimento das despesas obrigatórias e preservar o ganho real previsto para o salário mínimo.
PLOA será enviado ao Congresso
O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional até 31 de agosto. A proposta será analisada pelos parlamentares, que poderão apresentar emendas e alterações durante a tramitação.
O valor definitivo do salário mínimo deverá ser conhecido apenas no fim de 2026, após a divulgação do INPC acumulado até novembro e a definição oficial do reajuste.
Se a projeção de R$ 1.741 for confirmada, o novo salário mínimo entrará em vigor em janeiro de 2027.









