
Cappelli critica sites alternativos do DF, mas mantém silêncio diante dos milhões gastos pelo governo Lula em publicidade institucional.
O debate político no Distrito Federal ganhou mais um ingrediente. Pré-candidato ao Governo do DF pelo PSB, Ricardo Cappelli (Forasteiro) tem direcionado críticas à administração local e apresentado a necessidade de mudanças na gestão pública como uma das bandeiras de sua pré-campanha. Ao mesmo tempo, um tema relacionado ao governo federal que apoia politicamente merece entrar na conta: os gastos com publicidade institucional da Presidência da República.
Segundo levantamento divulgado pelo Estadão/Broadcast a partir de dados da própria Secretaria de Comunicação Social (Secom), do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) e do Siga Brasil, o governo Luiz Inácio Lula da Silva desembolsou R$ 255,3 milhões em publicidade institucional da Presidência no primeiro semestre de 2026.
O valor, segundo o levantamento, é 219% superior aos R$ 79,9 milhões desembolsados no primeiro semestre de 2022 pelo governo Jair Bolsonaro.
Além disso, a Secom reservou outros R$ 584,7 milhões no Orçamento de 2026 para campanhas institucionais. O levantamento considera exclusivamente a publicidade da Presidência e não inclui campanhas realizadas por ministérios, como Saúde e Educação.
A pergunta que fica para Cappelli
É justamente nesse ponto que surge o questionamento político dirigido a Cappelli: se o pré-candidato pretende apresentar-se como alternativa de gestão para o Distrito Federal, qual é sua avaliação sobre os gastos de comunicação do governo federal que ele integra politicamente ao seu campo?
Cappelli lançou sua pré-candidatura pelo PSB em junho e defendeu a formação de uma frente ampla para a disputa pelo Palácio do Buriti. Na ocasião, afirmou que a chapa não deveria ficar restrita à esquerda e citou conversas com diferentes partidos, entre ela PT e PSD/Avante de Arruda.
A cobrança, portanto, não é para que Cappelli concorde ou discorde automaticamente dos números. O ponto é saber se ele considera adequado o volume de recursos destinados à publicidade institucional do governo Lula e quais critérios deveriam orientar esse tipo de gasto.
Publicidade institucional em ano eleitoral
O tema ganha ainda mais relevância em 2026 porque o governo federal está submetido a regras específicas para publicidade institucional durante o período eleitoral. A própria Secom publicou a Instrução Normativa nº 13, de 3 de julho de 2026, estabelecendo regras para publicidade e patrocínio dos órgãos do Executivo federal em ano de eleições gerais, com referência aos princípios de legalidade, impessoalidade e igualdade de oportunidades.
Órgãos federais também passaram a adaptar ou suspender conteúdos institucionais a partir de 4 de julho, em razão das restrições do período eleitoral.
A Secretaria de Comunicação Social, segundo as informações apresentadas no levantamento, sustenta que os investimentos têm como objetivo informar a população sobre políticas públicas e serviços. A pasta também afirma que os pagamentos realizados em 2026 não correspondem necessariamente a despesas originadas neste ano: apenas 17,3% do valor desembolsado no primeiro semestre seriam referentes a contratos de 2026, enquanto o restante estaria relacionado a compromissos assumidos anteriormente.
Transparência vale para todos
O debate sobre publicidade pública não deveria depender da cor partidária de quem ocupa o Palácio do Planalto ou o Palácio do Buriti.
Se Cappelli cobra eficiência, transparência e responsabilidade na administração pública do Distrito Federal, é legítimo perguntar qual é sua posição sobre os gastos federais com comunicação institucional. Da mesma forma, integrantes de qualquer campo político podem ser cobrados quando seus aliados ocupam o poder.
No fim, a questão é simples: quanto o governo federal pode gastar em publicidade, para quê, com quais critérios e qual retorno a sociedade recebe?
Enquanto isso, Cappelli mantém silêncio diante das altas cifras gastas pelo governo Lula em publicidade.










