
Governadora e candidata à reeleição afirma que não teve participação nas decisões que levaram à atual crise do banco e cobra maturidade política para buscar uma solução
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), afirmou nesta terça-feira (11), durante sabatina ao Correio Braziliense, que não teve participação nas decisões que resultaram na atual situação do Banco de Brasília (BRB). Ela também falou sobre a relação política com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e criticou adversários que, segundo ela, não apresentam propostas para ajudar na recuperação da instituição.
Ao abordar o caso envolvendo o banco, Celina afirmou que seu nome não aparece nas investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro e ressaltou que, durante o período em que ocupou a vice-governadoria, não participava das decisões administrativas do Executivo.
“O meu nome não está no telefone do Vorcaro, não tem situações com o meu nome, então eu não posso ser responsabilizada.”
Segundo a governadora, decisões estratégicas relacionadas ao BRB eram atribuição do governador. Celina afirmou ainda que já havia manifestado publicamente discordância em relação à condução da instituição e citou sua falta de relacionamento com Paulo Henrique Costa, então presidente do banco.
“Eu não tinha relacionamento nenhum com o Paulo Henrique. Ele sabia que ele ia ser trocado.”
Celina também afirmou que, embora não tenha responsabilidade pelas decisões tomadas anteriormente, a solução para a atual situação do BRB está agora sob sua responsabilidade.
“É um problema grave que eu não fico culpada, mas a responsabilidade de resolver hoje recaiu sobre o meu colo e eu vou resolver.”
Celina cobra apoio de adversários
Durante a sabatina, a governadora criticou adversários políticos que, segundo ela, estariam torcendo contra o BRB em vez de apresentar alternativas para enfrentar o problema.
Celina defendeu que os candidatos ao Governo do Distrito Federal busquem diálogo com o governo federal para proteger a instituição e os interesses dos brasilienses.
“Os meus adversários torcem contra. Uma total irresponsabilidade.”
A governadora afirmou ainda que, independentemente de posicionamentos partidários, buscaria apoio do governo federal caso estivesse na oposição e o futuro do banco estivesse em risco.
“Eu fiz um pedido, esses gestos ao governo federal, porque toda vez que a minha cidade estiver em risco, ou algum órgão importante da nossa cidade em risco, eu vou pedir.”
Segundo Celina, a solução exige diálogo com diferentes instituições, incluindo o governo federal, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a Caixa Econômica Federal e outros bancos.
Críticas a adversários
Celina também aproveitou a sabatina para relembrar sua trajetória de oposição ao PT e criticar antigos adversários políticos. Ao citar o ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB), afirmou que rompeu politicamente com ele após menos de seis meses de governo.
A governadora criticou a gestão anterior por problemas de infraestrutura e abastecimento de água e afirmou que sua administração adotou uma estratégia diferente, baseada em investimentos e planejamento.
Em tom irônico, Celina fez referência a episódios relacionados à crise hídrica daquele período e afirmou:
“Ele contratou Cacique Cobra Coral, pra dançar dança da chuva pra trazer água. Era esse o governo Rollemberg.”
A governadora também criticou candidatos que, segundo ela, tratam a crise do BRB de maneira superficial.
“O problema é grave, exige maturidade. Não é um fanfarrão que vai resolver, que fica batendo no banco o tempo todo.”
Balanço do BRB
Celina afirmou que as informações relacionadas ao balanço do banco ainda estão sendo discutidas com o FGC e que os dados serão apresentados posteriormente.
“O balanço é algo que nós estamos discutindo, junto com o próprio FGC.”
Segundo a governadora, a expectativa é tratar das informações sobre a situação financeira do BRB em uma reunião prevista para quinta-feira (13).
Candidata à reeleição, Celina Leão tenta transformar a condução da crise do BRB em uma demonstração de capacidade de articulação política e administrativa. Ao mesmo tempo, a instituição se tornou um dos principais temas da disputa eleitoral do Distrito Federal em 2026.










