domingo, 9 de agosto de 2026 11:11
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Óculos inteligentes da Meta são proibidos em bares, restaurantes e teatros no Reino Unido

Divulgação/Meta

 

Estabelecimentos britânicos restringem o uso dos dispositivos por preocupações com gravações não autorizadas e riscos à privacidade de clientes e funcionários.

A linha de óculos inteligentes da Meta, apresentada pela empresa como uma nova forma de integrar tecnologia ao cotidiano, vem enfrentando resistência no Reino Unido. Bares, restaurantes e teatros passaram a proibir ou restringir o uso dos dispositivos em seus estabelecimentos devido a preocupações relacionadas à privacidade.

A Meta esperava que os chamados “óculos espiões” tivessem uma aceitação semelhante à de produtos como tablets e smartwatches. No entanto, a possibilidade de os aparelhos registrarem imagens e sons sem que as pessoas ao redor percebam provocou medidas de restrição em diferentes locais.

O proprietário de restaurantes em Londres, Jeremy King, afirmou ao jornal The Guardian que não permitiria conscientemente qualquer invasão da privacidade de seus clientes. O clube privado Soho House e a rede de pubs Wetherspoons também adotaram restrições ao uso dos dispositivos.

Teatros também impõem restrições

A preocupação também chegou aos teatros britânicos. A ATG Theatres, empresa responsável por espaços como o Bristol Hippodrome e o Edinburgh Playhouse, informou que gravações não são permitidas durante as apresentações.

Segundo um porta-voz da companhia, pessoas que estiverem utilizando os óculos durante os espetáculos poderão ser orientadas a retirá-los.

A medida ocorre em meio à crescente preocupação com a possibilidade de gravações serem feitas sem o conhecimento ou consentimento das pessoas registradas. Vídeos produzidos com os óculos da Meta mostrando situações de assédio contra mulheres chegaram a circular nas redes sociais e alguns conteúdos se tornaram virais.

Adam Mosseri, diretor do Instagram, afirmou que a plataforma reforçou a fiscalização sobre vídeos registrados sem consentimento com os óculos inteligentes e posteriormente publicados na rede social.

Meta defende uso responsável

Diante das críticas, a Meta afirmou que está comprometida com a proteção da privacidade. A empresa destaca que os óculos possuem diferentes funções, além da câmera, como reprodução de música, traduções simultâneas e realização de chamadas sem a necessidade de utilizar as mãos.

A companhia também defende que a confiança das pessoas é fundamental para a utilização da tecnologia, tanto para quem utiliza os dispositivos quanto para aqueles que estão ao redor.

“Para quem os usa e para as pessoas ao redor, a confiança é fundamental”, afirmou a Meta em comunicado.

O episódio no Reino Unido evidencia um dos principais desafios enfrentados pelos fabricantes de dispositivos vestíveis equipados com câmeras e inteligência artificial: conciliar novas funcionalidades tecnológicas com o direito à privacidade das pessoas que não optaram por utilizar esses equipamentos.