segunda-feira, 27 de julho de 2026 13:13
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Pesquisa aponta que maioria das pessoas que conhece a PrEP ainda não utiliza o tratamento preventivo contra o HIV

Foto: Tony Oliveira / Agência Brasília

 

Brasil aparece entre os países com maior adesão ao método, mas levantamento mostra que menos de três em cada dez pessoas informadas sobre a estratégia fazem uso da medicação.

Um levantamento internacional revelou que, embora a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV seja amplamente conhecida em diversos países, a maior parte das pessoas que têm conhecimento sobre o tratamento ainda não faz uso da estratégia de prevenção. O Brasil aparece em segundo lugar no índice de conhecimento sobre a PrEP diária, com 72% dos entrevistados afirmando conhecer o método, atrás apenas do Reino Unido, que registrou 79%.

Apesar do bom desempenho em relação ao nível de informação, a adesão ao tratamento permanece abaixo do esperado. No Brasil, apenas 28% dos participantes da pesquisa afirmaram utilizar a PrEP diariamente, o que significa que menos de três em cada dez pessoas que conhecem a estratégia preventiva fazem uso do medicamento.

Os dados fazem parte do estudo Closing the Gap, realizado pela iniciativa Grindr for Equality. A pesquisa ouviu 18.287 usuários do aplicativo Grindr em dez países entre fevereiro e março de 2026.

Segundo os pesquisadores, a baixa adesão pode estar relacionada a diferentes barreiras, como dificuldades financeiras, falta de acesso aos serviços de saúde, capacitação insuficiente dos profissionais, obstáculos na navegação do sistema de atendimento e limitações no acesso ao tratamento preventivo.

O levantamento também identificou que os canais digitais se consolidaram como a principal fonte de informação sobre prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

De acordo com o Ministério da Saúde, a PrEP consiste na combinação dos medicamentos tenofovir e entricitabina, utilizados para reduzir significativamente o risco de infecção pelo HIV. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A estratégia pode ser utilizada de duas formas. A PrEP diária é indicada para pessoas em situação de maior vulnerabilidade ao HIV e consiste no uso contínuo da medicação. Já a PrEP sob demanda é destinada a situações específicas de exposição ao vírus, sendo administrada em um esquema que prevê dois comprimidos entre duas e 24 horas antes da relação sexual, um comprimido 24 horas após a primeira dose e outro 24 horas depois da segunda.

No Brasil, a PrEP é recomendada para homens cisgêneros heterossexuais, bissexuais, gays, homens cis que fazem sexo com homens, pessoas não binárias designadas do sexo masculino ao nascer, travestis e mulheres transexuais que não estejam em uso de hormônios à base de estradiol.

Entre os países avaliados, a Índia apresentou os menores índices tanto de conhecimento quanto de utilização da PrEP. Apenas 28% dos entrevistados afirmaram conhecer a modalidade diária e somente 7% relataram utilizá-la. Em relação à PrEP sob demanda, o conhecimento chegou a 26%, enquanto o uso foi registrado por apenas 5% dos participantes.

Além do Reino Unido e do Brasil, países como Estados Unidos e Vietnã também apresentaram níveis relativamente elevados de utilização da PrEP diária, com 32% e 28% dos entrevistados, respectivamente. Já o Reino Unido liderou também o uso da PrEP sob demanda, com 24% dos participantes afirmando utilizar essa modalidade de prevenção.

Os resultados reforçam que, embora o conhecimento sobre a profilaxia tenha avançado em diversos países, ampliar o acesso aos serviços de saúde e facilitar a utilização da PrEP continuam sendo desafios para fortalecer a prevenção ao HIV.