sábado, 4 de julho de 2026 15:15
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Palpitações e tonturas nem sempre são ansiedade: sintomas podem indicar arritmia cardíaca

Foto de allison christine na Unsplash

 

Especialistas alertam que alterações no ritmo do coração podem ser confundidas com estresse ou cansaço, atrasando o diagnóstico e o tratamento

Uma tontura ao levantar da cama, um mal-estar ao se abaixar para pegar um objeto, uma sensação de fraqueza durante um exercício físico ou um coração acelerado sem motivo aparente. Embora esses sintomas sejam frequentemente atribuídos ao estresse, à ansiedade, ao cansaço ou até ao envelhecimento, eles também podem indicar um problema cardíaco que exige atenção: a arritmia.

As arritmias são alterações no ritmo normal dos batimentos do coração. Nesses casos, o órgão pode bater mais rápido, mais devagar ou de forma irregular. Dependendo do tipo, os sintomas podem ser discretos e aparecer apenas ocasionalmente, dificultando a identificação do problema.

Entre os sinais mais comuns estão palpitações, tonturas, sensação de desmaio, falta de ar, cansaço excessivo e desconforto no peito. Como essas manifestações também podem estar associadas a outras condições, muitos pacientes acabam ignorando os sintomas ou atribuindo-os a fatores do cotidiano.

Segundo especialistas, idosos costumam relacionar esses episódios ao avanço da idade. Mulheres frequentemente associam o mal-estar ao excesso de tarefas, à privação de sono ou à sobrecarga da rotina. Já adolescentes tendem a acreditar que os sintomas são consequência da ansiedade ou das alterações hormonais, enquanto muitos homens culpam noites mal dormidas, alimentação inadequada ou o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

Embora essas explicações possam, de fato, justificar parte dos casos, nem sempre elas correspondem à verdadeira causa. De acordo com a American Heart Association, algumas arritmias permanecem sem diagnóstico durante anos justamente porque seus sintomas são confundidos com problemas considerados menos graves.

A ansiedade também pode provocar manifestações físicas intensas. Durante episódios de estresse emocional, o organismo libera hormônios como adrenalina e cortisol, que aumentam a frequência cardíaca e aceleram a respiração, produzindo sintomas semelhantes aos das arritmias.

No entanto, existem diferenças importantes entre as duas condições. Enquanto as crises de ansiedade costumam estar relacionadas a momentos de tensão ou preocupação, determinadas arritmias podem surgir sem qualquer gatilho aparente, inclusive quando a pessoa está descansando, assistindo televisão, lendo ou até dormindo.

Especialistas alertam que alguns sinais merecem investigação médica mais detalhada, especialmente quando ocorrem de forma repetitiva. Entre eles estão episódios frequentes de tontura, desmaios, sensação de quase desmaio, palpitações sem motivo aparente, além de histórico familiar de morte súbita ou de doenças cardíacas.

O diagnóstico das arritmias, entretanto, pode representar um desafio, já que os episódios nem sempre acontecem durante a consulta médica. Por isso, exames como eletrocardiograma, monitorização cardíaca por Holter de 24 horas e outros dispositivos de registro contínuo desempenham papel fundamental na identificação das alterações do ritmo cardíaco.

Apesar da preocupação que o tema desperta, especialistas ressaltam que a maioria das arritmias pode ser tratada com segurança quando identificada precocemente. A recomendação é que sintomas recorrentes não sejam automaticamente atribuídos à ansiedade, ao estresse ou à rotina intensa sem uma avaliação médica adequada.

Nem toda palpitação representa uma doença, assim como nem toda tontura tem origem cardíaca. Porém, quando esses episódios passam a se repetir ou vêm acompanhados de outros sinais, a investigação clínica pode fazer a diferença entre um diagnóstico tranquilizador e a identificação precoce de uma condição que necessita de tratamento. Ouvir os sinais do corpo e buscar orientação médica são medidas importantes para preservar a saúde e evitar complicações futuras.