
Integrantes da sigla apontam falta de alinhamento sobre pautas nacionais e defesa do pré-candidato à Presidência, enquanto PT mantém estrutura coordenada de comunicação
A menos de um ano do início oficial da campanha eleitoral de 2026, parlamentares do Partido Liberal (PL) demonstram preocupação com a falta de uma estratégia unificada para orientar o discurso da legenda. Deputados e senadores da sigla avaliam que ainda não há um direcionamento claro sobre os principais temas que deverão nortear a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto.
Entre as principais dúvidas da base estão a condução de debates nacionais, como a proposta de fim da escala de trabalho 6×1, e a estratégia de comunicação diante de episódios envolvendo o senador, como o caso relacionado ao Banco Master.
Após a divulgação de áudios que associavam Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, integrantes da bancada do PL aguardaram um posicionamento oficial antes de se manifestarem. Segundo relatos, o grupo de WhatsApp dos deputados permaneceu em silêncio até que o senador divulgasse um vídeo comentando o caso. Somente depois disso parlamentares passaram a publicar mensagens em defesa do pré-candidato nas redes sociais.
A orientação predominante entre os integrantes da legenda tem sido evitar comentários sobre o episódio e reforçar a defesa de Flávio quando necessário. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que ainda será realizada uma reunião entre a equipe de comunicação do partido e a coordenação da campanha presidencial para alinhar os discursos.
Nos bastidores, parlamentares esperam que o caso não tenha novos desdobramentos e acreditam que a condução das principais decisões ficará concentrada na cúpula da legenda, cabendo à base seguir as orientações posteriormente definidas.
Enquanto isso, temas considerados sensíveis, como a redução da jornada de trabalho por meio do fim da escala 6×1, seguem sem uma posição pública consolidada do partido. A estratégia, por ora, é evitar o debate até que haja uma definição das lideranças nacionais.
A coordenação política da pré-campanha é conduzida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável por articular posicionamentos e repassar orientações aos parlamentares, frequentemente por meio de grupos internos de mensagens. Mesmo assim, parte da bancada avalia que o partido ainda carece de uma estrutura de comunicação semelhante à desenvolvida por outras legendas.
O deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ) afirmou que o partido não trabalha com narrativas previamente definidas e que os posicionamentos são construídos de acordo com os acontecimentos. Segundo ele, a defesa de Flávio Bolsonaro no episódio envolvendo o Banco Master ocorreu por confiança nas explicações apresentadas pelo senador.
Entre os temas já consolidados dentro da legenda, a segurança pública aparece como prioridade. Parlamentares consideram o assunto um dos principais ativos eleitorais do partido, especialmente no Rio de Janeiro, estado considerado estratégico para a campanha presidencial devido ao protagonismo das discussões sobre combate ao crime organizado.
Segundo Sóstenes Cavalcante, a padronização do discurso sobre os principais temas ocorrerá após a conclusão do plano de governo de Flávio Bolsonaro, que servirá de base para orientar candidatos da legenda em todo o país.
Na última sexta-feira (3), o PL iniciou um movimento para fortalecer essa integração ao promover, no Rio de Janeiro, um seminário voltado ao alinhamento da comunicação política e da atuação nas redes sociais. O encontro reuniu Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho e outros parlamentares da sigla.
Enquanto o PL trabalha para estruturar sua estratégia, o Partido dos Trabalhadores (PT) mantém uma coordenação permanente entre a direção nacional, a bancada no Congresso e a pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo parlamentares petistas, materiais de comunicação e orientações sobre temas prioritários são distribuídos regularmente aos diretórios e parlamentares em todo o país.
Entre os exemplos citados por integrantes do PT está a campanha em defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. Após o governo passar a apoiar publicamente a medida, deputados e senadores da legenda adotaram discurso unificado em defesa da proposta.
Outro tema explorado pelo partido é o caso envolvendo o Banco Master. Parlamentares petistas passaram a relacionar o episódio à família Bolsonaro em pronunciamentos e publicações nas redes sociais, dentro de uma estratégia coordenada de comunicação.
Segundo dirigentes da legenda, os posicionamentos são definidos em reuniões internas e posteriormente disseminados aos parlamentares, que adaptam a linguagem para entrevistas, discursos, vídeos e publicações nas redes sociais, mantendo uma linha de comunicação considerada mais integrada durante a preparação para as eleições de 2026.









