
Revisão do Ministério do Desenvolvimento reflete avanço das exportações no primeiro semestre; resultado, se confirmado, será o segundo maior da história do país
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revisou para cima a projeção de superávit da balança comercial brasileira em 2026. A estimativa passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, valor que, se confirmado, representará o segundo maior saldo positivo da série histórica, atrás apenas do registrado em 2023, além de um crescimento de 32,3% em relação aos US$ 68,1 bilhões obtidos em 2025.
A revisão foi anunciada nesta sexta-feira (3), após o governo constatar um desempenho superior ao esperado nas exportações e importações ao longo do primeiro semestre. Mesmo diante de fatores como a guerra no Oriente Médio e das tarifas impostas pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump, as exportações brasileiras cresceram 11,5% nos seis primeiros meses do ano.
Além da estimativa para o superávit, o MDIC também atualizou as projeções para o fluxo total do comércio exterior. A expectativa é que o Brasil exporte US$ 394,4 bilhões em 2026, montante US$ 30,2 bilhões superior à previsão divulgada em abril. As importações, por sua vez, foram revisadas de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.
Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do ministério, Herlon Brandão, o desempenho positivo é resultado da aceleração dos negócios internacionais. De acordo com ele, tanto as exportações quanto as importações apresentaram crescimento acima do esperado, contribuindo para a revisão das projeções.
Os novos números foram divulgados juntamente com o resultado da balança comercial de junho. No mês, o país registrou superávit de US$ 9,8 bilhões, impulsionado por exportações recordes de US$ 36,3 bilhões, alta de 24,9% em comparação com junho de 2025. As importações totalizaram US$ 26,5 bilhões, crescimento de 14,4% no mesmo período.
O principal destaque foi a indústria extrativa, cujas exportações avançaram 58,4%. O petróleo bruto liderou esse crescimento, beneficiado tanto pela valorização dos preços internacionais quanto pelo aumento do volume embarcado. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o preço da commodity subiu 67,6%, enquanto o volume exportado cresceu 6,8%.
Também contribuíram para o desempenho positivo as exportações de soja no setor agropecuário e o aumento das vendas externas de carnes, combustíveis e farelo de soja pela indústria de transformação.
No acumulado entre janeiro e junho, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 42,4 bilhões, acima dos US$ 30,2 bilhões obtidos no primeiro semestre de 2025. As exportações somaram US$ 184,8 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 142,4 bilhões, reforçando a expectativa do governo de que 2026 poderá ser um dos melhores anos da história do comércio exterior brasileiro.









