
Federação das Indústrias do Rio de Janeiro defende negociação coletiva e afirma que redução da jornada sem corte salarial pode impactar toda a cadeia produtiva
O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 continua mobilizando diferentes setores da economia brasileira. Para a representante da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Maria Rita Catonio Barbosa, a proposta em discussão na Câmara dos Deputados pode gerar aumento de custos para as empresas e, consequentemente, elevar os preços de produtos e serviços para os consumidores.
Segundo Maria Rita, a principal preocupação está na redução da jornada de trabalho sem uma diminuição proporcional dos salários. De acordo com ela, a medida elevaria automaticamente o custo da hora trabalhada, exigindo que empresas contratem mais funcionários para manter os atuais níveis de produção e atendimento.
A especialista afirma que os impactos não ficariam restritos às empresas. Na avaliação dela, o aumento dos custos seria repassado ao longo de toda a cadeia produtiva. Como exemplo, citou a indústria metalúrgica, que poderia elevar o preço das chapas de aço, encarecendo a produção de eletrodomésticos e refletindo nos valores cobrados pelas lojas. O mesmo efeito, segundo ela, poderia atingir pequenos negócios, como padarias e estabelecimentos comerciais.
Maria Rita também questionou comparações entre o Brasil e países que possuem jornadas menores de trabalho. Ela destacou que nações como Luxemburgo e Irlanda apresentam índices de produtividade significativamente superiores aos brasileiros, além de contarem com melhor infraestrutura, menor informalidade e maior nível de automação.
No caso da indústria de transformação nacional, a representante da Firjan ressaltou que houve uma queda de 9% na produtividade entre 2019 e 2024. Segundo seus cálculos, uma eventual redução da jornada semanal de 44 para 40 horas exigiria um aumento de aproximadamente 8,5% na produtividade apenas para manter o atual volume de produção.
Como alternativa, Maria Rita defende que mudanças nas jornadas de trabalho sejam discutidas por meio de negociações coletivas entre empregadores e trabalhadores. Para ela, esse modelo permitiria considerar as particularidades de cada setor econômico, categoria profissional e região do país.
A representante também informou que a federação tem participado de audiências públicas e dialogado com parlamentares para apresentar estudos sobre os possíveis impactos econômicos da proposta. Segundo ela, o objetivo é contribuir para o debate e demonstrar os efeitos que uma mudança uniforme na legislação trabalhista pode causar em diferentes segmentos da economia brasileira.









