segunda-feira, 10 de agosto de 2026 22:22
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CBF aprova novas regras de arbitragem para reduzir paralisações no futebol brasileiro

Foto: Divulgação/SSP-DF

 

Mudanças passam a valer imediatamente nas Séries A e B e incluem limites de tempo para goleiros, cobranças e substituições, além de novos protocolos para atuação do VAR.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou nesta segunda-feira (10), em reunião com clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro masculino, a adoção de novas regras de arbitragem nas competições nacionais. As mudanças entram em vigor imediatamente e têm como principal objetivo reduzir o tempo perdido durante as partidas e aumentar o período de bola rolando.

A reunião foi realizada em um hotel na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. As novas determinações seguem regras estabelecidas pela International Football Association Board (IFAB), órgão responsável por definir e modificar as leis do futebol. Parte das medidas já foi utilizada na última Copa do Mundo.

A Fifa trabalha com a meta de que cada partida tenha pelo menos 60 minutos de bola rolando. Antes da pausa da Copa, entretanto, a média registrada na Série A do Campeonato Brasileiro era de 52 minutos e 54 segundos por jogo.

Entre as principais ligas europeias, França e Alemanha apresentam médias de 56 minutos e 17 segundos. Segundo estimativa da CBF, baseada no relatório “Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro” e em estudo realizado pela empresa de dados Opta, as novas regras podem acrescentar 5 minutos e 49 segundos de jogo por partida, com possibilidade de chegar a 6 minutos e 22 segundos.

Das dez mudanças aprovadas, apenas uma não será aplicada imediatamente. A possibilidade de revisão pelo árbitro de vídeo (VAR) de escanteios concedidos de maneira equivocada passará a valer somente em 2027.

“Nosso trabalho é transformar esse diagnóstico em ações concretas. Isso passa pela aplicação das novas regras, pela padronização dos critérios e pela capacitação dos árbitros, mas também depende da participação dos clubes e dos jogadores. O objetivo é ter um jogo mais fluido, com menos interrupções e mais futebol”, afirmou Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF.

Confira as novas regras

1. Goleiros terão oito segundos para soltar a bola

O goleiro terá até oito segundos para colocar a bola em jogo quando estiver com ela nas mãos. Se ultrapassar o limite, será marcado escanteio para a equipe adversária.

2. Cinco segundos para cobranças de lateral

O jogador terá cinco segundos para realizar a cobrança de lateral. Caso ultrapasse o tempo, a posse será transferida para o adversário.

3. Cinco segundos para o tiro de meta

O árbitro iniciará a contagem após o apito para a cobrança do tiro de meta. Se o goleiro exceder os cinco segundos, a equipe adversária ganhará um escanteio.

4. Dez segundos para deixar o campo durante substituições

O jogador substituído terá até dez segundos para deixar o campo. Caso ultrapasse o período, o atleta que entrará terá de aguardar um minuto antes de poder participar da partida.

5. Um minuto fora após atendimento médico

Jogadores que receberem atendimento médico dentro do gramado deverão permanecer fora de campo por pelo menos um minuto após o reinício da partida.

6. Regra específica para atendimento de goleiros

Quando o goleiro precisar de atendimento, o treinador ou capitão deverá indicar um jogador de linha para cumprir o período de um minuto fora do campo após a retomada da partida.

7. Apenas o capitão poderá conversar com o árbitro

Somente o capitão terá autorização para se dirigir ao árbitro em determinadas situações. Caso o capitão seja o goleiro, um jogador de linha será escolhido para exercer essa função. Atletas que desrespeitarem a determinação poderão receber cartão amarelo.

8. “Protocolo Vini Jr.”

Cobrir intencionalmente a boca durante uma discussão com um adversário, com o objetivo de dificultar a leitura labial, poderá resultar em expulsão, independentemente do conteúdo da fala.

9. VAR poderá revisar segundo cartão amarelo que resultar em expulsão

O árbitro de vídeo poderá revisar situações em que um segundo cartão amarelo tenha provocado a expulsão de um jogador. Caso seja constatado que a punição foi aplicada de maneira equivocada, o cartão poderá ser anulado.

10. VAR poderá revisar escanteio concedido por engano a partir de 2027

A partir de 2027, o VAR poderá revisar um escanteio concedido de forma equivocada quando o lance tiver consequência direta na marcação de um gol ou de um pênalti.

Segundo a CBF, a implementação das medidas faz parte de um conjunto de ações voltadas à redução das interrupções e à padronização da arbitragem. A entidade também pretende ampliar a capacitação dos árbitros para que os novos procedimentos sejam aplicados de maneira uniforme nas competições nacionais.