segunda-feira, 8 de junho de 2026 12:12
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Mercado eleva previsão da inflação pela 13ª semana seguida e aumenta expectativa para a Selic em 2026

© Marcello Casal JrAgência Brasi

Boletim Focus aponta IPCA de 5,11% neste ano, acima do teto da meta, enquanto projeção para os juros básicos sobe para 13,5% ao fim de 2026

A previsão do mercado financeiro para a inflação brasileira voltou a subir. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,09% para 5,11% em 2026, registrando a décima terceira semana consecutiva de alta.

O índice projetado permanece acima do limite superior da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Dessa forma, o teto permitido é de 4,5%.

Entre os fatores que pressionam os preços está o cenário internacional, especialmente os reflexos da guerra no Oriente Médio sobre os mercados de energia e combustíveis. O aumento dos custos do petróleo tem impacto direto nos preços dos transportes e de diversos produtos da economia.

Apesar da alta nas projeções para este ano, o último dado oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o IPCA acumulado em 12 meses até abril foi de 4,39%, ainda dentro do intervalo de tolerância da meta. A inflação de maio será divulgada pelo instituto na próxima sexta-feira (12).

Para os anos seguintes, o mercado também elevou ligeiramente as expectativas. A projeção para 2027 passou de 4,02% para 4,03%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 ficaram em 3,65% e 3,5%, respectivamente.

No campo da política monetária, os analistas aumentaram a previsão para a taxa básica de juros ao final de 2026. A expectativa para a Selic passou de 13,25% para 13,5% ao ano. Atualmente, a taxa está em 14,5% ao ano, após duas reduções consecutivas promovidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

A perspectiva de juros mais elevados reflete a preocupação do mercado com a persistência das pressões inflacionárias. O Banco Central utiliza a Selic como principal instrumento de controle da inflação, tornando o crédito mais caro para reduzir o consumo e conter a alta dos preços.

Para os anos seguintes, a expectativa é de continuidade no ciclo de redução dos juros. O mercado projeta uma Selic de 11,5% em 2027 e de 10% ao ano em 2028 e 2029.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 16 e 17 de junho. O encontro é acompanhado com atenção por investidores e agentes econômicos, que aguardam sinais sobre os próximos passos da política monetária em meio às incertezas internacionais.

Em relação à atividade econômica, as projeções permanecem relativamente estáveis. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 subiu levemente de 1,9% para 1,91%. Para 2027, a previsão segue em 1,7%, enquanto para 2028 e 2029 o mercado estima expansão de 2% ao ano.

Dados recentes do IBGE mostram que a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o trimestre anterior. No acumulado de 12 meses, a expansão foi de 2%. Em 2025, o país registrou crescimento de 2,3%, impulsionado principalmente pelo desempenho da agropecuária.

No mercado cambial, a expectativa para o dólar apresentou leve recuo. O Boletim Focus projeta que a moeda norte-americana encerrará 2026 cotada a R$ 5,15. Para o final de 2027, a estimativa é de R$ 5,20.

Com informações da Agência Brasil.