Fundo Rio Doce libera R$ 75,8 milhões para projetos de reparação em Mariana

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Recursos administrados pelo BNDES serão destinados a iniciativas ambientais, tecnologia no campo e apoio a comunidades afetadas pelo rompimento da barragem de Fundão

O Fundo Rio Doce, criado para financiar ações de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, alcançou a marca de R$ 75,8 milhões liberados para novos projetos nos últimos três meses. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (8) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante evento realizado no Museu de Mariana.

Os recursos começaram a ser repassados em fevereiro e contemplam sete projetos voltados à recuperação ambiental, fortalecimento da agricultura familiar, inclusão tecnológica e apoio a comunidades tradicionais atingidas pela tragédia de 2015.

A maior liberação até o momento foi destinada ao projeto Florestas Produtivas com Barraginhas, que recebeu R$ 23,6 milhões. A iniciativa prevê a implantação de 1,4 mil hectares de florestas produtivas — área equivalente a quase nove vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo — além da construção de 4,2 mil barraginhas, pequenas estruturas voltadas à captação da água da chuva e combate à erosão do solo.

O projeto também oferecerá assistência técnica rural e capacitação para 4.650 unidades produtivas. Ao longo dos próximos anos, a iniciativa poderá receber até R$ 100,89 milhões.

A ação é coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e executada pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater). Segundo a gerente extraordinária de Reparação do Rio Doce da Anater, Adriana Aranha, os sistemas agroflorestais previstos no projeto contribuem para recuperar áreas degradadas e promover agricultura de baixo carbono.

Outro destaque entre os investimentos é o projeto Rio Doce Semear Digital, que recebeu aporte inicial de R$ 19,1 milhões e poderá chegar a R$ 30 milhões. A proposta busca ampliar a conectividade e o acesso à tecnologia digital no campo, com a criação de Centros de Propagação de Inovação Digital Inclusiva em municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo situados na Bacia do Rio Doce.

Os recursos também serão aplicados em projetos voltados à consulta de comunidades quilombolas e indígenas, assessoria técnica a povos tradicionais e planos integrados de desenvolvimento regional.

Para a diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas e Gestão do Fundo Rio Doce do BNDES, Maria Fernanda Coelho, os repasses reforçam o compromisso do banco em acelerar as ações de reparação com transparência e eficiência.

Além dos novos projetos, o BNDES também segue realizando pagamentos do Programa de Transferência de Renda (PTR), destinado a pescadores e agricultores atingidos pela tragédia. O programa garante repasses mensais equivalentes a 1,5 salário mínimo durante três anos, com redução para um salário mínimo no quarto ano. Até agora, os desembolsos do PTR já somam R$ 950 milhões.

O rompimento da barragem de Fundão ocorreu em 5 de novembro de 2015 e é considerado um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil. Cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos atingiram a Bacia do Rio Doce até o litoral do Espírito Santo, deixando 19 mortos e causando destruição em diversas comunidades.

A barragem pertencia à mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP. Apesar dos acordos firmados no Brasil, a BHP ainda enfrenta ações judiciais no Reino Unido relacionadas ao desastre.

O novo acordo de reparação, firmado em 2024 e homologado pelo Supremo Tribunal Federal, prevê R$ 170 bilhões em ações de compensação e recuperação, incluindo os R$ 49,1 bilhões destinados ao Fundo Rio Doce, que será administrado pelo BNDES ao longo de 22 anos.