
Edição do Caminhos da Reportagem discute uso crescente de medicamentos e desafios de acesso no Brasil
O programa Caminhos da Reportagem exibe, nesta segunda-feira (27), a edição “O boom das canetas emagrecedoras”, que analisa o uso intensivo de medicamentos injetáveis no processo de perda de peso. A atração vai ao ar às 23h, na TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
O episódio destaca que as chamadas “canetas emagrecedoras” têm gerado debate global ao mesmo tempo em que ampliam possibilidades no tratamento de doenças como obesidade e diabetes tipo 2. A primeira tecnologia do tipo chegou ao Brasil em 2017, e, desde então, novos medicamentos vêm sendo desenvolvidos e incorporados ao mercado.
Especialistas, no entanto, alertam para o uso adequado desses fármacos. O endocrinologista Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, ressalta que o termo mais apropriado é “medicamentos injetáveis para tratamento da obesidade e do diabetes”. Segundo ele, os produtos representam uma revolução terapêutica, com benefícios como perda de peso e redução do risco cardiovascular, mas devem ser utilizados apenas sob indicação médica.
A reportagem também aborda histórias de pacientes, como a de Francenobre Costa de Sousa, que convive com diabetes tipo 2 e enfrenta dificuldades no controle da doença. De acordo com profissionais de saúde, medicamentos mais modernos poderiam melhorar a qualidade de vida desses pacientes, mas o acesso ainda é limitado.
Entre os fatores que podem ampliar a oferta desses tratamentos estão a queda de patentes e a produção nacional. Em março deste ano, expirou a patente da semaglutida, substância presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, o que abre espaço para maior concorrência no mercado. Ainda assim, especialistas apontam que a produção continua complexa e não deve resultar em redução imediata significativa de preços.
O Ministério da Saúde informou que solicitou prioridade à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o registro de medicamentos com princípios ativos como semaglutida e liraglutida, visando futura produção nacional. No entanto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) já emitiu parecer desfavorável à incorporação desses medicamentos no SUS, citando impacto orçamentário elevado.
Outro ponto discutido na reportagem é a chamada “economia moral da magreza”, conceito analisado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Segundo estudos, a valorização social do corpo magro pode reforçar estigmas e aumentar a pressão estética, inclusive sobre pessoas fora do quadro de obesidade.
Além disso, o programa reforça que o uso dos medicamentos deve estar associado a mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos. Profissionais de saúde alertam que o tratamento isolado não garante resultados duradouros.
O crescimento da procura por essas tecnologias também tem levantado preocupações com irregularidades na importação, prescrição e comercialização. A Anvisa, em conjunto com órgãos de fiscalização, tem intensificado ações para coibir práticas ilegais e proteger a saúde da população.









