Ministério da Saúde alerta para risco de sarampo com Copa do Mundo de 2026

© Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Documento aponta alta circulação do vírus nas Américas e reforça vacinação como principal estratégia para evitar reintrodução da doença no Brasil

O Ministério da Saúde emitiu um alerta nesta quinta-feira (23) sobre o risco iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil em razão do grande fluxo de viajantes previsto para a Copa do Mundo de 2026. O torneio será realizado a partir de junho nos Estados Unidos, Canadá e México — países que enfrentam surtos ativos da doença.

De acordo com a nota técnica, o cenário atual nas Américas é de alta transmissibilidade do vírus, somado ao intenso deslocamento de brasileiros e estrangeiros durante o evento esportivo. “Há um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros, porventura infectados”, destaca o documento.

A pasta reforça que a vacinação é a principal estratégia de proteção. “A vacinação oportuna de viajantes e a vigilância sensível dos serviços de saúde são as únicas estratégias capazes de mitigar o risco de reintrodução do vírus”, afirma o Departamento do Programa Nacional de Imunizações.

Copa do Mundo e risco sanitário

A Copa do Mundo de 2026 ocorrerá entre 11 de junho e 19 de julho, com jogos em cidades dos três países-sede. O governo alerta que eventos de grande porte aumentam significativamente a circulação internacional de pessoas.

“Eventos de massa internacionais como este resultam em grande mobilidade populacional e intensa circulação de viajantes entre países e continentes, o que pode favorecer a disseminação de doenças transmissíveis”, ressalta o ministério.

Situação do sarampo nas Américas

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida por via aérea e gotículas respiratórias. O Ministério da Saúde alerta que, em 2025, foram registrados 248.394 casos no mundo, demonstrando a persistência global da circulação do vírus.

Na região das Américas, o cenário é de agravamento. O Canadá registrou 5.062 casos em 2025 e perdeu o status de país livre da doença. O México saltou de sete casos em 2024 para 6.152 em 2025, além de 1.190 casos em janeiro de 2026. Já os Estados Unidos notificaram 2.144 casos em 2025 e 721 apenas em janeiro de 2026.

Com surtos ativos nos três países-sede da Copa, a região das Américas perdeu em novembro de 2025 o status de área livre de transmissão endêmica do sarampo.

Brasil mantém status, mas risco é elevado

Apesar do cenário regional, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do vírus, conquistado em 2024. Em 2025, foram 3.952 casos suspeitos, com 38 confirmações, sendo a maioria em pessoas não vacinadas.

Um dado preocupante apontado pelo ministério é que 94,7% dos casos confirmados no ano ocorreram em indivíduos sem histórico vacinal.

Em 2026, até março, foram registrados dois casos confirmados, ambos importados e em pessoas não vacinadas, reforçando o risco de reintrodução do vírus no país.

“O cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil frente à reintrodução do vírus”, alerta a nota.

Vacinação é medida central de prevenção

O governo federal reforça que a vacinação gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a principal forma de prevenção. A cobertura da primeira dose em 2025 chegou a 92,66%, próxima da meta de 95%, enquanto a segunda dose ficou em 78,02%.

Apesar dos avanços, o ministério alerta para lacunas importantes na imunização. “Esses resultados evidenciam que ainda há pessoas não vacinadas contra o sarampo no Brasil”, aponta o documento.

Orientações para viajantes

Para quem pretende viajar à Copa do Mundo, o ministério recomenda:

  • Conferir e atualizar a caderneta de vacinação
  • Tomar a vacina tríplice viral com antecedência mínima de 15 dias antes da viagem
  • Em caso de sintomas como febre e manchas vermelhas no retorno, procurar imediatamente atendimento médico

Especialistas também reforçam o alerta. Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o risco de reintrodução do vírus é real diante do cenário internacional e do aumento da mobilidade global.

“A chance de alguém entrar com sarampo aqui é grande”, afirmou. Ele destaca ainda que a manutenção da cobertura vacinal e a vigilância ativa são fundamentais para impedir surtos no país.