
Sesc-DF promove seminário internacional com artistas e pensadores globais para debater decolonialidade e novos caminhos culturais
Brasília se consolida, mais uma vez, como palco de grandes debates culturais ao receber, na manhã desta quarta-feira (22), o maior Seminário Internacional “Cultura para Quê? Centros de Arte, Decolonialidade e Futuros Possíveis”. Promovido pelo Sesc-DF, o evento reúne nomes de destaque do pensamento contemporâneo e reafirma o protagonismo da capital na construção de novos caminhos para a cultura.
A abertura contou com a presença do diretor regional Valcides de Araújo, acompanhado de Cíntia Gontijo de Rezende, Manuel Borja Villel curador sênior so Seminário e Leonardo Hernandes, reforçando o compromisso institucional com iniciativas que promovem reflexão, inclusão e transformação social por meio da arte.
Um dos grandes destaques da programação é o artista Olivier Marboeuf, referência internacional no campo das artes e da teoria cultural. Pela primeira vez em Brasília, Marboeuf protagoniza uma intervenção inédita ao iniciar a pintura de um painel de grandes proporções, desenvolvido a partir de um processo de criação coletiva. A obra convida o público a imaginar futuros possíveis para a cidade, conectando arte, território e participação social.
Reconhecido por sua abordagem crítica, o artista explora em sua trajetória temas como imperialismo, servidão e os impactos históricos da opressão racial. Seu trabalho propõe revisitar o passado ao mesmo tempo em que constrói novas narrativas, ampliando perspectivas sobre identidade, memória e pertencimento.
No Brasil, Marboeuf já deixou sua marca na 36ª Bienal de São Paulo com a instalação La Ronde des vies bonnes (A Roda das Boas Vidas), que integra a série Blueprint. A obra promove um encontro simbólico entre Brasil, Guadalupe e Haiti, dialogando com o carnaval negro e as máscaras carnavalescas para refletir sobre conexões globais e fortalecer a consciência negra. O trabalho evidencia laços históricos e culturais entre territórios marcados por experiências afrodescendentes compartilhadas.
Com uma trajetória sólida, Marboeuf também fundou, na década de 1990, a editora de quadrinhos Amok, ao lado de Yvan Alagbé. Entre 2004 e 2018, dirigiu o Espace Khiasma, na França, um importante centro de arte voltado à representação de minorias. Além disso, é cofundador da rede artística independente RITAA, na Guadalupe, e autor de diversos textos que transitam entre ensaios teóricos e poesia.
Realizado entre os dias 22 e 25 de abril, o seminário propõe uma reflexão profunda sobre o papel das instituições culturais na contemporaneidade. Gratuito e aberto ao público, o evento busca discutir como museus e centros culturais podem se reinventar, superando estruturas tradicionais e coloniais para se tornarem mais plurais, inclusivos e conectados às realidades sociais.
A iniciativa também marca um momento estratégico para o Sesc-DF, ao integrar a construção conceitual do novo centro cultural da instituição, que está sendo implantado na 511 Norte, no Plano Piloto — um espaço que promete ampliar o acesso à cultura e fortalecer a cena artística do Distrito Federal.
Sob curadoria de Manuel Borja-Villel e Micaela Neiva, o seminário reúne ainda nomes relevantes como Ailton Krenak, Adriana Guzmán Arroyo, Fatima El-Tayeb, Jota Mombaça, Suely Rolnik e Yuderkis Espinosa.









