Lula critica tensões no Oriente Médio e chama conflito de “guerra da insensatez”

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Presidente defende solução diplomática e relembra acordo nuclear de 2010 rejeitado por EUA e Europa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “guerra da insensatez” a possibilidade de retomada de hostilidades no Oriente Médio, diante da demora para uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas em viagem oficial à Alemanha.

Ao comentar o cenário, Lula afirmou que o conflito poderia ter sido evitado por meio do diálogo. Segundo ele, os Estados Unidos, por sua posição de força global, não precisariam recorrer a demonstrações constantes de poder. “Muitas coisas poderiam ser resolvidas sem nenhuma morte, sem nenhuma bomba, sentados à mesa de negociação”, disse.

O presidente também relembrou o acordo firmado em 2010 entre Brasil, Turquia e o Irã, que tratava do enriquecimento de urânio. Na avaliação de Lula, o entendimento à época poderia ter resolvido a questão nuclear iraniana, mas acabou rejeitado tanto pelos Estados Unidos quanto pela União Europeia.

“Eles não quiseram aceitar o acordo e, agora, estão discutindo novamente o mesmo tema que poderia ter sido resolvido em 2010”, afirmou. Para o presidente, o atual impasse é reflexo dessa decisão e representa um custo evitável no cenário internacional.

Lula também destacou os impactos indiretos do conflito sobre a população global. Segundo ele, tensões geopolíticas tendem a elevar preços de produtos básicos e combustíveis, afetando diretamente trabalhadores e consumidores. “Quem paga o preço disso é a pessoa que vai comprar carne, feijão, arroz, e o caminhoneiro que vai pagar mais caro pelo combustível”, concluiu.