
Vice-presidente afirma que responsáveis devem ser punidos e confirma saída do ministério em abril por causa da legislação eleitoral
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, defendeu uma apuração rigorosa e punição aos envolvidos no escândalo do Banco Master, investigado por fraudes que teriam causado prejuízos bilionários a investidores e instituições públicas e privadas.
A declaração foi feita durante entrevista ao jornalista José Luiz Datena, na estreia do programa Na Mesa com Datena, exibido na noite desta terça-feira (10) pela TV Brasil.
Segundo Alckmin, as irregularidades investigadas não são recentes e precisam ser esclarecidas com total transparência. “Você não tem um desfalque, uma fraude do ponto de vista bancário que começou ontem. Isso vem lá de trás. Agora está ficando claro que tinham pessoas dentro do Banco Central do Brasil que tinham envolvimento. Tem que ser feita apuração rigorosa e punição rigorosa”, afirmou.
O vice-presidente também destacou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não interfere nas investigações e garantiu autonomia às autoridades responsáveis. De acordo com ele, a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário têm liberdade para conduzir os trabalhos.
Investigação e operação policial
As investigações fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. O esquema teria provocado um rombo de até R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos, responsável por ressarcir investidores.
Na semana passada, o financista Daniel Vorcaro foi preso novamente pela Polícia Federal durante a terceira fase da operação. Ele já havia sido detido anteriormente, mas respondia ao processo em liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica.
A nova prisão ocorreu após a descoberta de mensagens no celular do banqueiro apreendido na primeira fase da investigação. Segundo os investigadores, os registros indicariam ameaças a jornalistas e a pessoas consideradas contrárias aos interesses do empresário.
Saída do ministério
Durante a entrevista, Alckmin também confirmou que deixará o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no dia 2 de abril. A decisão atende à legislação eleitoral, que exige a desincompatibilização de cargos executivos até seis meses antes das eleições.
Apesar da saída do ministério, ele permanecerá como vice-presidente da República enquanto define sua participação nas eleições de outubro. “Vice-presidente não precisa deixar a vice-presidência, mas para disputar qualquer cargo é necessário se afastar do ministério”, explicou.
Economia e cenário internacional
Alckmin também comentou os impactos econômicos do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Segundo ele, embora o cenário internacional afete a economia global, o Brasil tende a sofrer menos impactos diretos devido à diversidade de seus parceiros comerciais.
De acordo com o vice-presidente, os principais destinos das exportações brasileiras são a China, a União Europeia, a Argentina e os Estados Unidos. Ainda assim, ele alertou para os reflexos do aumento no preço do petróleo, que pode impactar combustíveis como gasolina e diesel.
Segurança pública e eleições
Ao abordar o cenário político, Alckmin avaliou que as eleições atuais são marcadas por forte polarização, fenômeno observado em diversos países. Mesmo assim, ele afirmou estar otimista com os indicadores econômicos do país.
Entre os pontos destacados estão a taxa de desemprego, que segundo ele está no menor nível da série histórica, e a inflação em torno de 4,2%.
Na área da segurança pública, o vice-presidente ressaltou a aprovação recente da PEC da Segurança Pública pela Câmara dos Deputados. A proposta cria o Sistema Único de Segurança Pública e busca ampliar a integração entre as forças policiais.
Segundo Alckmin, a medida também fortalece a atuação das polícias municipais e amplia o papel da Polícia Federal no combate a organizações criminosas com atuação interestadual ou internacional. Ele também defendeu penas mais duras e a prisão de líderes de grupos criminosos.










